O Paraná segue consolidando sua posição como uma das principais potências do agronegócio brasileiro. Impulsionado pela forte demanda internacional e pela necessidade dos produtores de liberar espaço nos armazéns para a chegada da segunda safra de milho, o Estado exportou 6,72 milhões de toneladas do complexo soja entre janeiro e maio de 2026.
Os dados foram divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), e demonstram o vigor da cadeia produtiva da soja paranaense. O volume embarcado representa um crescimento de 8% em comparação ao mesmo período de 2025, evidenciando a força do setor em um cenário de recuperação dos preços internacionais e aumento da competitividade brasileira.
Colheita do milho acelera comercialização da soja
O avanço da colheita da segunda safra de milho tem sido um dos principais fatores por trás do aumento das vendas de soja no Estado. Com a necessidade de disponibilizar capacidade de armazenamento para receber a nova produção de milho, muitos produtores intensificaram a comercialização dos estoques remanescentes de soja.
A estratégia é comum em anos de boa produtividade, especialmente quando há expectativa de uma safra volumosa de milho. Segundo estimativas do próprio Deral, a produção da segunda safra paranaense deve superar 17 milhões de toneladas, exigindo logística eficiente e espaço adequado para armazenamento.
Diante desse cenário, a movimentação nos portos e cooperativas do Paraná ganhou ritmo nos primeiros meses do ano, favorecendo o escoamento da produção e contribuindo para o aumento das exportações do complexo soja.
Grão de soja lidera embarques
Entre os produtos que compõem o complexo soja — grão, farelo e óleo de soja — o grão permaneceu como o principal item exportado pelo Paraná em 2026.
Dos 6,72 milhões de toneladas embarcados no período analisado, aproximadamente 71% corresponderam ao grão de soja. O farelo respondeu por 24% do total exportado, enquanto o óleo de soja representou cerca de 5%.
O desempenho confirma a importância da soja em grão como principal produto agrícola exportado pelo Estado, abastecendo mercados estratégicos na Ásia, Europa e demais regiões importadoras de commodities agrícolas.
Além disso, o crescimento das exportações demonstra a capacidade do setor produtivo paranaense de atender à demanda internacional mesmo diante dos desafios logísticos e das oscilações do mercado global.
Óleo de soja registra maior crescimento
Embora o grão continue liderando os embarques, o grande destaque dos primeiros cinco meses de 2026 foi o óleo de soja.
As exportações do produto alcançaram 338 mil toneladas entre janeiro e maio, representando um crescimento expressivo de 59% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O avanço reflete não apenas o aumento da demanda externa, mas também a maior valorização dos derivados da soja no mercado internacional. O óleo vem ganhando relevância em diversos segmentos industriais, especialmente na produção de alimentos e biocombustíveis.
Nos últimos anos, o fortalecimento das políticas de transição energética em vários países ampliou o interesse por matérias-primas renováveis, impulsionando o consumo de óleo vegetal para a fabricação de combustíveis sustentáveis.
Essa tendência tem favorecido diretamente os estados produtores brasileiros, entre eles o Paraná, que possui uma sólida estrutura de processamento e industrialização da soja.
Receita cambial cresce 18%
Além do aumento no volume exportado, o Paraná também registrou crescimento significativo na receita obtida com as vendas externas.
De acordo com o levantamento do Deral, as exportações do complexo soja geraram aproximadamente US$ 2,94 bilhões para a balança comercial paranaense entre janeiro e maio de 2026.
O resultado representa uma elevação de 18% em comparação ao mesmo período de 2025, demonstrando que a valorização dos produtos contribuiu para ampliar os ganhos do setor.
O desempenho financeiro reforça a relevância da soja para a economia estadual. O complexo soja continua sendo uma das principais fontes de geração de divisas para o Paraná, impactando positivamente toda a cadeia do agronegócio, desde produtores rurais até cooperativas, indústrias processadoras, transportadoras e operadores portuários.
Paraná acompanha tendência nacional
O crescimento observado no Paraná está alinhado ao desempenho do agronegócio brasileiro como um todo.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 66,2 milhões de toneladas do complexo soja, registrando avanço de 7% em volume na comparação anual.
Em termos financeiros, as exportações brasileiras movimentaram US$ 27,62 bilhões, valor 15% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Os números reforçam o protagonismo do país no mercado global de soja. Atualmente, o Brasil ocupa posição de liderança entre os maiores exportadores mundiais da commodity, atendendo mercados estratégicos como China, União Europeia e diversos países asiáticos.
A competitividade da produção nacional, aliada à expansão da demanda internacional por alimentos, proteínas e biocombustíveis, continua sustentando o crescimento das exportações brasileiras.
Perspectivas para o restante do ano
As expectativas para o segundo semestre permanecem positivas. A continuidade da colheita do milho, associada ao bom ritmo das exportações e à demanda internacional aquecida, deve manter o fluxo de comercialização elevado nos próximos meses.
Especialistas do setor apontam que fatores como câmbio favorável, recuperação econômica em países importadores e crescimento do mercado de biocombustíveis podem seguir impulsionando as vendas externas dos derivados da soja.
Além disso, investimentos em infraestrutura logística, armazenagem e ampliação da capacidade portuária tendem a fortalecer ainda mais a competitividade do Paraná no cenário internacional.
Com uma agricultura cada vez mais tecnificada e integrada às demandas globais, o Estado segue desempenhando papel estratégico na geração de riqueza, empregos e divisas para o Brasil.
O desempenho registrado nos primeiros cinco meses de 2026 evidencia não apenas a força da produção agrícola paranaense, mas também a capacidade do agronegócio nacional de responder às oportunidades do mercado mundial. Em um cenário de crescente demanda por alimentos e energia renovável, a soja continua sendo um dos principais motores da economia brasileira e uma das commodities mais importantes para o desenvolvimento do campo.