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Exportações de algodão devem cair na safra 2026/27

27 Jul

O setor algodoeiro brasileiro caminha para mais uma safra marcada por números expressivos, mas também por desafios que devem influenciar o desempenho do país no comércio internacional. 

As perspectivas para a temporada 2026/27 apontam para uma expansão da área cultivada, impulsionada pela valorização das cotações internacionais e pelas condições climáticas favoráveis observadas em importantes regiões produtoras durante o desenvolvimento da safra. 

Apesar desse cenário positivo para o plantio, a expectativa é de que as exportações brasileiras registrem uma retração em relação ao ciclo anterior, reflexo da combinação entre estoques de passagem menores, produção ligeiramente reduzida e das incertezas provocadas pelo fenômeno El Niño.

Ainda assim, o Brasil deverá preservar sua posição entre os maiores exportadores mundiais de algodão, reforçando a competitividade de uma cadeia produtiva que vem conquistando cada vez mais espaço no mercado global graças aos investimentos em tecnologia, produtividade e qualidade da fibra.

Mato Grosso lidera a expansão da produção nacional

Mato Grosso deve permanecer como o principal motor da cotonicultura brasileira na safra 2026/27. Responsável pela maior parcela da produção nacional, o estado deverá novamente liderar a expansão da área cultivada, consolidando sua posição como referência mundial em produtividade e eficiência na produção de algodão.

As projeções indicam um incremento de aproximadamente 75 mil hectares, elevando a área destinada à cultura para cerca de 1,45 milhão de hectares. O crescimento reflete a confiança dos produtores nas perspectivas do mercado e na recuperação dos preços internacionais da pluma, além das condições climáticas favoráveis registradas ao longo do ciclo agrícola.

Mesmo com episódios pontuais de chuvas durante o mês de julho, que provocaram atrasos localizados na colheita, os impactos foram considerados limitados e não alteraram de forma significativa o potencial produtivo das lavouras. Esse cenário reforça o protagonismo de Mato Grosso na produção nacional e demonstra a capacidade do estado de manter elevados níveis de competitividade, sustentados pelo uso intensivo de tecnologia, mecanização, sementes de alto desempenho e manejo cada vez mais eficiente.

Além de Mato Grosso, a Bahia também deve contribuir para a expansão da área plantada, fortalecendo ainda mais a produção brasileira e ampliando a oferta da fibra no mercado.

El Niño aumenta a atenção sobre a produtividade

Embora o aumento da área cultivada represente um sinal positivo para a cadeia do algodão, especialistas do setor alertam que a produtividade das lavouras continuará fortemente condicionada ao comportamento climático durante a próxima temporada.

A possibilidade de atuação do fenômeno El Niño desperta preocupação entre produtores e analistas, principalmente pela possibilidade de alterações no regime de chuvas em importantes regiões agrícolas do país. Caso ocorram períodos prolongados de estiagem durante fases críticas do desenvolvimento das plantas, parte do potencial produtivo poderá ser comprometida.

Esse fator climático explica por que uma expansão da área cultivada nem sempre resulta em crescimento da produção total. Em culturas altamente tecnificadas como o algodão, pequenas oscilações na produtividade por hectare podem representar perdas significativas em escala nacional.

Apesar desse cenário de atenção, a expectativa é que os produtores mantenham os investimentos na cultura, acompanhando de perto as condições climáticas e adotando estratégias de manejo capazes de reduzir riscos e preservar o potencial produtivo das lavouras.

Produção deve apresentar leve retração

Mesmo com uma expansão estimada de 4,4% na área cultivada, a produção brasileira de algodão poderá registrar uma pequena redução na safra 2026/27.

A estimativa inicial aponta para uma colheita de aproximadamente 3,83 milhões de toneladas, volume cerca de 1,5% inferior ao esperado para o ciclo anterior. Embora a queda seja considerada modesta, ela evidencia como o desempenho da agricultura continua diretamente ligado às condições climáticas, especialmente em culturas de elevado investimento tecnológico.

Ainda assim, trata-se de um patamar historicamente elevado, suficiente para manter o Brasil entre os maiores produtores mundiais da fibra e garantir competitividade tanto no abastecimento interno quanto nas exportações.

Estoques menores reforçam o equilíbrio entre oferta e demanda

O balanço da safra 2025/26 também passou por ajustes importantes, especialmente em relação aos estoques iniciais, que foram revisados após a atualização dos dados das temporadas anteriores.

Mesmo com essa adequação, os principais indicadores do mercado permanecem praticamente inalterados. As exportações seguem projetadas em 3,3 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico permanece estimado em 750 mil toneladas, números considerados compatíveis com o ritmo observado pelo setor ao longo da atual temporada.

A redução dos estoques de passagem contribui para um mercado mais equilibrado, evitando excesso de oferta e sustentando uma relação saudável entre produção, consumo e exportações. Esse equilíbrio é considerado fundamental para preservar a competitividade da cadeia algodoeira brasileira e manter a estabilidade dos preços ao longo dos próximos meses.

Exportações devem perder ritmo, mas seguem em patamar histórico

O comércio exterior deverá refletir diretamente esse cenário de menor disponibilidade de produto.

Com estoques mais enxutos e uma produção ligeiramente inferior, a expectativa é que o Brasil exporte cerca de 3,05 milhões de toneladas de algodão na safra 2026/27, volume que representa uma retração de 7,6% em relação ao ciclo anterior.

Apesar da queda, o desempenho continua extremamente expressivo. Se confirmado, esse será o segundo maior volume de exportações da história da cotonicultura brasileira, demonstrando que o país continua ampliando sua presença nos principais mercados consumidores da fibra.

A manutenção desse elevado nível de embarques reforça a reputação internacional do algodão brasileiro, reconhecido pela alta qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e regularidade no fornecimento. Esses fatores têm ampliado a competitividade do Brasil diante de tradicionais exportadores globais e consolidado o país como um dos protagonistas do mercado mundial.

O cenário para os próximos meses dependerá da evolução das condições climáticas, do comportamento das cotações internacionais e da demanda dos principais países importadores. Ainda assim, a combinação entre tecnologia, expansão da área cultivada e eficiência logística mantém o agronegócio brasileiro em posição privilegiada para continuar fortalecendo sua participação no comércio global de algodão.

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