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Custo da pecuária dispara e preocupa produtores em MT

22 Jul

A pecuária de corte em Mato Grosso enfrenta um novo ciclo de pressão sobre os custos de produção. Dados divulgados pelo projeto Custo de Produção Agropecuária (CPA), desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostram que o Custo Operacional Total (COT) aumentou em todos os principais sistemas produtivos durante o segundo trimestre de 2026.

O levantamento reforça um cenário que já vinha sendo observado pelos produtores rurais: manter a atividade pecuária exige cada vez mais planejamento financeiro, gestão eficiente e atenção às oscilações do mercado de reposição. O avanço dos custos foi impulsionado principalmente pelo aumento das despesas com suplementação alimentar, manejo sanitário, manutenção das pastagens e pela valorização dos animais destinados à reposição.

A análise semanal divulgada nesta segunda-feira (20) evidencia que o sistema de recria e engorda foi o mais afetado no período, enquanto a cria pode encontrar um ambiente mais favorável caso a oferta de bezerros permaneça limitada ao longo do ano.

Recria e engorda registram o maior aumento de custos

Entre os sistemas avaliados pelo Imea, a recria e engorda apresentou a maior elevação do custo operacional. No segundo trimestre de 2026, o Custo Operacional Total avançou 5,09%, encerrando o período em R$ 369,55 por arroba.

Esse desempenho demonstra o impacto direto da valorização dos animais de reposição. Para os pecuaristas que compram bezerros ou garrotes para desenvolver e terminar os animais, o investimento inicial tornou-se significativamente maior, reduzindo a margem operacional.

Além do custo de aquisição dos animais, outros componentes da produção também contribuíram para elevar as despesas da atividade, especialmente os gastos relacionados à alimentação suplementar e ao manejo das propriedades.

A situação exige maior eficiência na gestão zootécnica e financeira, uma vez que pequenas diferenças nos índices produtivos podem representar resultados bastante distintos ao final do ciclo de produção.

Ciclo completo também registra alta no custo operacional

O sistema de ciclo completo também apresentou aumento nos custos durante o trimestre analisado.

Segundo o levantamento do Imea, o Custo Operacional Total cresceu 2,38%, alcançando R$ 182,25 por arroba.

Nesse modelo produtivo, o pecuarista realiza todas as etapas da produção dentro da mesma propriedade, desde a cria até a terminação dos animais. Embora esse sistema apresente maior controle sobre a cadeia produtiva, ele também absorve os impactos do aumento dos insumos utilizados em cada fase da produção.

Com despesas maiores em alimentação, sanidade animal e manutenção das áreas de pastagem, o custo final da arroba produzida também aumentou, exigindo maior eficiência operacional para preservar a rentabilidade.

Sistema de cria mantém crescimento mais moderado

Na atividade de cria, responsável pela produção de bezerros, o aumento dos custos foi relativamente menor quando comparado aos demais sistemas.

O Custo Operacional Total registrou alta de 1,75%, encerrando o trimestre em R$ 295,79 por arroba.

Apesar da elevação dos custos, o segmento pode ser favorecido pela valorização dos animais de reposição. Com uma oferta mais restrita de bezerros no mercado, os preços permanecem sustentados, permitindo que muitos criadores consigam compensar parte do aumento das despesas por meio da comercialização dos animais.

Esse movimento reforça uma característica comum do ciclo pecuário: quando a reposição se valoriza, os produtores especializados em cria costumam obter melhores resultados econômicos, enquanto recriadores e terminadores enfrentam maiores desafios para manter suas margens.

O que explica o aumento dos custos na pecuária?

O avanço dos custos observado no segundo trimestre não está relacionado a apenas um fator.

Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária, três grupos de despesas exerceram maior influência sobre os sistemas produtivos:

  • aumento dos gastos com suplementação alimentar;
  • maiores despesas com manejo sanitário dos rebanhos;
  • elevação dos custos para manutenção e recuperação das pastagens.

Esses componentes representam parte significativa do orçamento das propriedades pecuárias e possuem impacto direto sobre o custo final de produção.

Além disso, a valorização dos animais de reposição tornou o sistema de recria e engorda ainda mais vulnerável às oscilações do mercado.

Quando o bezerro fica mais caro, todo o investimento necessário para produzir um boi terminado aumenta. Caso a arroba do boi gordo não acompanhe esse movimento na mesma intensidade, a margem do produtor diminui.

Mercado da reposição continua sendo fator decisivo

Um dos principais pontos destacados pelo Imea é o comportamento do mercado de reposição.

A instituição avalia que, caso a oferta de bezerros permaneça limitada ao longo de 2026, os preços deverão continuar elevados.

Esse cenário pode manter a firmeza das cotações da reposição durante os próximos meses, beneficiando os produtores especializados em cria.

Por outro lado, a recria e a engorda continuarão enfrentando maior pressão financeira, já que o custo de entrada dos animais permanecerá elevado.

Esse comportamento faz parte do chamado ciclo pecuário, que alterna momentos de maior rentabilidade entre diferentes segmentos da cadeia da bovinocultura de corte.

Gestão eficiente será determinante para manter a rentabilidade

Em períodos de custos elevados, a gestão da propriedade torna-se ainda mais importante.

Especialistas do setor destacam que produtores que acompanham indicadores técnicos e econômicos conseguem tomar decisões mais assertivas sobre compra de animais, suplementação, manejo de pastagens e comercialização.

Entre as principais estratégias adotadas por propriedades mais eficientes estão:

  • planejamento antecipado da compra de reposição;
  • melhoria da taxa de lotação das pastagens;
  • intensificação da produção com foco em produtividade;
  • controle rigoroso dos custos operacionais;
  • investimento em manejo nutricional e sanitário.

Essas práticas ajudam a reduzir desperdícios e aumentam a capacidade da fazenda de enfrentar momentos de maior pressão sobre os custos.

Perspectivas para a pecuária de Mato Grosso em 2026

Mato Grosso continua liderando a produção pecuária brasileira e desempenha papel fundamental no abastecimento do mercado interno e das exportações de carne bovina.

Entretanto, os dados mais recentes mostram que o produtor deverá enfrentar um ambiente de custos mais elevados ao longo de 2026.

Se a disponibilidade de bezerros permanecer restrita, a tendência é de continuidade da valorização dos animais de reposição. Isso pode favorecer os criadores, mas manter a pressão sobre recriadores e confinadores.

Ao mesmo tempo, fatores como clima, disponibilidade de pastagens, custos com nutrição animal e comportamento do mercado da arroba continuarão influenciando diretamente a rentabilidade das propriedades.

Para o pecuarista, o cenário reforça a importância de investir em tecnologia, planejamento e gestão econômica, transformando informações de mercado em decisões estratégicas. Em um ambiente de margens cada vez mais apertadas, controlar custos e aumentar a eficiência produtiva passa a ser tão importante quanto produzir mais.

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