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Agro reduz compras e fertilizantes recuam 14,7%

08 Aug

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro registraram uma queda expressiva em maio de 2026. Segundo dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o volume entregue ao consumidor final somou 3,16 milhões de toneladas no mês, uma retração de 14,7% em relação às 3,70 milhões de toneladas registradas em maio de 2025.

O resultado chama atenção porque os fertilizantes estão diretamente ligados ao desempenho da agricultura brasileira e ao planejamento das principais culturas do país. Uma redução nas compras pode indicar mudanças no ritmo de aquisição de insumos, adiamento de decisões por parte dos produtores ou maior cautela diante das condições do mercado internacional.

Apesar da queda mais acentuada observada em maio, o resultado acumulado nos primeiros cinco meses do ano apresenta uma retração mais moderada. Entre janeiro e maio de 2026, as entregas de fertilizantes no Brasil alcançaram 15,46 milhões de toneladas, contra 15,81 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. A diferença representa uma queda de 2,2%.

O cenário mostra que o mercado começou 2026 em ritmo relativamente estável, mas passou por mudanças ao longo do segundo trimestre.

Mercado de fertilizantes perde ritmo no segundo trimestre

De acordo com o levantamento da ANDA, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado por um ambiente de compras considerado dentro da normalidade, favorecido principalmente pelo bom desempenho da safrinha e pelo planejamento dos produtores.

A situação, entretanto, mudou com o avanço das tensões geopolíticas internacionais. O início da guerra no Irã provocou maior cautela no mercado e contribuiu para uma desaceleração na realização de novos negócios envolvendo fertilizantes.

Em um setor fortemente dependente do mercado internacional, alterações nos preços das matérias-primas, custos logísticos, disponibilidade de produtos e riscos relacionados ao comércio exterior podem influenciar diretamente as decisões tomadas pelos agricultores brasileiros.

Nesse contexto, estimativas do mercado apontam para uma possível redução de até 30% na aplicação de fertilizantes fosfatados, enquanto a janela de compras pode apresentar atraso de até 16%.

A combinação desses fatores aumenta a preocupação do setor em relação ao planejamento das próximas safras, principalmente porque fertilizantes representam uma parcela importante dos custos de produção de diversas culturas agrícolas.

Mato Grosso lidera consumo de fertilizantes no Brasil

Entre os estados brasileiros, Mato Grosso manteve a liderança nas entregas de fertilizantes no acumulado de janeiro a maio de 2026.

O estado recebeu 3,89 milhões de toneladas no período, volume equivalente a 25,2% de todas as entregas realizadas no país nos cinco primeiros meses do ano.

A liderança mato-grossense está diretamente relacionada à importância do estado para a produção brasileira de grãos. Mato Grosso possui uma forte participação na produção de soja e milho e também apresenta grande demanda por insumos agrícolas para sustentar a produtividade das lavouras.

Na sequência do ranking aparecem outros importantes polos do agronegócio nacional.

O Paraná registrou 1,75 milhão de toneladas de fertilizantes entregues entre janeiro e maio. O estado foi seguido por São Paulo, com 1,67 milhão de toneladas; Goiás, com 1,61 milhão; e Minas Gerais, que recebeu 1,15 milhão de toneladas no período.

Os números reforçam a concentração da demanda por fertilizantes nos principais estados produtores do país. A distribuição também evidencia como o comportamento das compras de insumos está ligado ao calendário agrícola e às características de cada região produtora.

Produção nacional de fertilizantes também recua

Além da redução nas entregas, a produção brasileira de fertilizantes intermediários apresentou queda significativa em maio.

Foram produzidas 485 mil toneladas em maio de 2026, volume 26,2% menor que as 657 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a maio, a produção nacional chegou a 2,41 milhões de toneladas, contra aproximadamente 2,9 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ano anterior. O resultado representa uma retração de 17,1%.

A queda na produção doméstica ocorre em um momento de atenção para a disponibilidade de insumos agrícolas e para a dependência brasileira das importações.

Segundo os dados apresentados, o desempenho da produção esteve relacionado a fatores como o aumento dos preços do enxofre, mudanças na estrutura societária de empresas do setor e a retomada de operações em alguns ativos.

O comportamento desses fatores pode influenciar tanto a oferta disponível no mercado interno quanto os custos enfrentados pela indústria de fertilizantes.

Importações de fertilizantes também diminuem

O Brasil também registrou queda nas importações de fertilizantes intermediários em maio.

Durante o mês, foram importadas 3,31 milhões de toneladas, uma redução de 9,4% na comparação com maio de 2025.

No acumulado de janeiro a maio de 2026, as importações chegaram a 14,52 milhões de toneladas, ante 14,92 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado. A retração foi de 2,7%.

O resultado demonstra que a redução do ritmo não está restrita às entregas realizadas dentro do mercado brasileiro. A própria entrada de fertilizantes no país apresentou queda nos primeiros cinco meses do ano.

Essa movimentação merece atenção porque o agronegócio brasileiro possui forte dependência do mercado externo para garantir o abastecimento de determinados nutrientes utilizados na produção agrícola.

Por isso, oscilações nos volumes importados podem influenciar o planejamento das compras, a formação de estoques e, dependendo das condições internacionais, os preços dos fertilizantes para os produtores.

Porto de Paranaguá registra queda no movimento

Outro indicador importante do mercado de fertilizantes é o movimento registrado pelos portos brasileiros.

Entre janeiro e maio de 2026, o Porto de Paranaguá movimentou 3,64 milhões de toneladas de fertilizantes, volume 9,6% inferior às 4,02 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.

Mesmo com a retração, Paranaguá continuou tendo papel relevante na logística nacional de fertilizantes. O terminal respondeu por 25,1% do total importado pelos portos brasileiros entre janeiro e maio.

A importância do porto paranaense está relacionada à sua localização estratégica e à conexão com uma das principais regiões produtoras do país. O terminal atende não apenas produtores do Paraná, mas também participa da movimentação de insumos destinados a diferentes áreas do agronegócio brasileiro.

A queda registrada no período, portanto, representa mais um sinal de desaceleração no fluxo de fertilizantes observado em 2026.

O que a queda nas entregas significa para o produtor?

A retração nas entregas de fertilizantes não significa necessariamente que o consumo agrícola brasileiro esteja caindo na mesma proporção. Parte do movimento pode estar relacionada ao momento das compras, à formação de estoques e ao adiamento de negociações diante das incertezas do mercado.

Para o produtor rural, o cenário exige atenção ao planejamento. Fertilizantes fazem parte da estratégia de produtividade das lavouras e qualquer alteração relevante nos preços ou na disponibilidade pode modificar a estrutura de custos da produção.

O comportamento do mercado internacional também continua sendo um fator decisivo. Questões geopolíticas, preços de matérias-primas, fretes, câmbio e disponibilidade de produtos podem influenciar a formação dos preços no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo, a redução das compras pode indicar uma postura mais cautelosa por parte dos produtores, que passam a acompanhar as condições do mercado antes de fechar novos negócios.

Mercado de fertilizantes entra no segundo semestre sob atenção

Os dados de maio colocam o mercado de fertilizantes em um cenário de maior atenção no segundo semestre de 2026.

As entregas acumuladas ainda apresentam uma queda relativamente pequena, de 2,2%, mas os números de maio mostram uma desaceleração mais forte. A produção nacional também recuou, enquanto as importações registraram redução e o movimento de fertilizantes pelo Porto de Paranaguá caiu quase 10% no acumulado do ano.

O conjunto desses indicadores será importante para acompanhar o comportamento dos preços dos insumos agrícolas, o ritmo de compras dos produtores e as condições de abastecimento para as próximas etapas do calendário agrícola.

Para o agronegócio brasileiro, o desafio será equilibrar a necessidade de garantir produtividade nas lavouras com um ambiente marcado por custos, logística e incertezas no mercado internacional.

Com o Brasil entre os maiores produtores e exportadores agrícolas do mundo, qualquer alteração significativa no mercado de fertilizantes merece atenção. Afinal, o custo e a disponibilidade dos adubos podem impactar diretamente a rentabilidade das propriedades rurais e as decisões tomadas pelos produtores durante o planejamento das próximas safras.

Fonte: BP Money

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