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igor . 9 min

Gado vivo bate recorde e Brasil mira 1,26 milhão de cabeças

01 Sep

A exportação de gado vivo brasileiro vive um dos momentos mais expressivos de sua história. O ano de 2026 vem sendo marcado por crescimento no número de animais embarcados, forte valorização do bovino destinado ao mercado internacional e uma demanda externa que continua concentrada em importantes compradores do Oriente Médio e do Norte da África.

Mesmo com uma redução no volume exportado durante julho, o preço médio pago por cada animal brasileiro embarcado atingiu um novo recorde histórico. A cotação chegou a US$ 1.516,66 por cabeça, o maior valor registrado desde o início da série histórica.

Os dados reforçam a importância crescente da exportação de bovinos vivos para a pecuária brasileira. Entre janeiro e julho, o Brasil embarcou 743,7 mil cabeças, resultado 30,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Mantido o ritmo atual dos embarques e considerando as projeções para os próximos meses, o país poderá encerrar 2026 próximo da marca de 1,26 milhão de bovinos vivos exportados, estabelecendo um novo patamar para o setor.

O levantamento foi elaborado pela Scot Consultoria, por meio do analista Lorenzo Cracco, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior, a Secex.

Exportação de gado vivo cresce mais de 30% em 2026

Nos primeiros sete meses de 2026, o Brasil exportou 743,7 mil bovinos vivos, contra 570,9 mil cabeças no mesmo intervalo do ano anterior.

O crescimento de 30,3% representa o melhor resultado para o período de janeiro a julho desde o início da série histórica, em 1997.

O desempenho demonstra que a demanda internacional por animais brasileiros continua forte, especialmente em mercados que utilizam o gado vivo para abastecimento interno, reprodução ou posterior processamento.

A exportação de gado vivo se tornou uma alternativa importante dentro da cadeia pecuária, criando mais um canal de comercialização para determinados tipos de animais.

Para o produtor rural, especialmente em regiões próximas aos principais corredores logísticos de exportação, o aumento da procura internacional pode gerar maior competição pela oferta de bovinos.

Esse movimento tende a ganhar importância em momentos de mercado mais aquecido, já que compradores voltados à exportação passam a disputar animais com frigoríficos, confinadores e outros participantes da cadeia.

Julho teve menos embarques, mas preço do bovino disparou

O comportamento do mercado em julho chamou atenção pelo contraste entre quantidade e valor.

Durante o mês, foram exportadas 67,6 mil cabeças de gado, número inferior ao registrado em julho de 2025 e também abaixo do volume observado no mesmo mês de 2024.

A queda foi de 22,7% em relação a julho do ano passado e de 35,3% na comparação com julho de 2024.

Ainda assim, o resultado colocou julho entre os melhores meses da série histórica para o período.

O principal destaque, porém, ficou por conta da valorização dos animais.

O preço médio do bovino embarcado passou por uma forte escalada nos últimos meses. Em maio, a cotação média estava em US$ 1.065,73 por cabeça. Em junho, subiu para US$ 1.345,27.

Já em julho, o valor alcançou US$ 1.516,66 por animal.

Segundo os dados analisados pela Scot Consultoria, o preço registrado em julho ficou 20,1% acima do melhor resultado mensal observado antes de 2026.

Na prática, isso significa que, mesmo com menos animais embarcados durante o mês, o valor obtido com cada bovino exportado atingiu um nível sem precedentes.

Receita da exportação de bovinos cresce 74%

A valorização do gado vivo explica por que o faturamento está crescendo em ritmo ainda mais acelerado do que o volume físico exportado.

Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras de bovinos vivos movimentaram US$ 932,3 milhões.

O valor representa um crescimento de 74% em comparação com os US$ 535,9 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Em apenas sete meses, a receita obtida pelo Brasil já se aproxima do faturamento alcançado durante todo o ano anterior.

O cenário evidencia uma mudança importante no mercado: o crescimento não está acontecendo apenas pela quantidade de animais enviados ao exterior.

O preço internacional pago pelo bovino brasileiro também está elevando significativamente o valor movimentado pela atividade.

Essa combinação entre maior volume e preços recordes pode transformar 2026 em um dos anos mais importantes da história da exportação de gado vivo do Brasil.

Turquia e Marrocos lideram compras de gado brasileiro

A demanda internacional continua bastante concentrada em alguns mercados.

Em julho, a Turquia foi o principal destino dos bovinos vivos exportados pelo Brasil, recebendo 29,5 mil cabeças, o equivalente a 43,6% de todo o volume embarcado no mês.

O Marrocos apareceu logo em seguida, com a compra de 27,2 mil animais, participação de 40,2%.

Depois dos dois principais compradores, aparecem países como Iraque, Líbano e Egito.

Os números confirmam a importância estratégica dos mercados do Oriente Médio e do Norte da África para a pecuária brasileira.

Em levantamento anterior, a Scot Consultoria já havia mostrado que Turquia, Marrocos e Iraque respondiam conjuntamente por mais de 94% dos bovinos vivos exportados pelo Brasil.

Essa concentração torna esses destinos fundamentais para o desempenho do setor.

Ao mesmo tempo, demonstra como mudanças na demanda desses países podem influenciar diretamente o mercado brasileiro de reposição.

Exportação em pé pode aumentar disputa por animais

A exportação de gado vivo tem um papel específico dentro da dinâmica da pecuária nacional.

Em determinadas regiões, especialmente próximas aos portos e corredores utilizados para os embarques, a presença de compradores voltados ao mercado externo pode aumentar a concorrência pelos animais.

Em junho, levantamento da Scot apontava que o valor do quilo vivo do bovino destinado à exportação estava, em média, 27,1% acima do preço do quilo vivo do boi magro negociado no mercado interno.

Essa diferença ajuda a explicar o interesse comercial na atividade.

Quando a demanda externa aumenta, empresas e compradores ligados à exportação podem intensificar a procura por animais, elevando a disputa pela oferta disponível.

Para o pecuarista, isso representa mais uma alternativa de comercialização.

Para o mercado como um todo, significa que a exportação em pé passa a ser uma variável relevante na formação dos preços dos animais de reposição.

Pará lidera exportação de gado vivo brasileiro

O Pará continua sendo o principal estado brasileiro de origem dos bovinos enviados ao exterior.

Somente em julho, o estado respondeu pelo embarque de 36,9 mil cabeças, representando 54,6% de todos os animais exportados pelo Brasil durante o mês.

Grande parte dessa movimentação acontece pelo Porto de Vila do Conde, uma das principais estruturas logísticas utilizadas para o transporte marítimo de bovinos vivos.

São Paulo apareceu na segunda posição, com 9,8 mil cabeças exportadas, seguido por Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

A liderança do Pará está diretamente ligada à localização estratégica e à infraestrutura disponível para atender os navios especializados no transporte de animais.

A proximidade entre importantes regiões produtoras e o terminal portuário facilita a logística e fortalece o estado como principal porta de saída do gado vivo brasileiro.

Agosto pode superar 120 mil cabeças exportadas

Os dados preliminares analisados pela Scot Consultoria indicam que agosto pode representar uma nova aceleração dos embarques.

Nos dez primeiros dias úteis do mês, o Brasil já havia exportado o equivalente a aproximadamente 90 mil bovinos.

A projeção inicial apontava para um fechamento superior a 120 mil cabeças, o que colocaria agosto entre os melhores meses de toda a série histórica.

Um dos principais sinais observados pela consultoria foi a intensa movimentação no Porto de Vila do Conde.

Havia 10 navios especializados no transporte de bovinos fundeados ou em processo de atracação, com capacidade conjunta estimada em aproximadamente 64,5 mil animais.

A movimentação reforça a expectativa de que os embarques brasileiros continuem em ritmo elevado.

Brasil pode exportar 1,26 milhão de bovinos em 2026

Caso a projeção para agosto seja confirmada, o Brasil poderá chegar a aproximadamente 864 mil cabeças exportadas nos primeiros oito meses de 2026.

Esse volume representaria cerca de 82,2% de tudo o que foi embarcado durante o ano de 2025.

A projeção da Scot Consultoria vai além.

Se os últimos quatro meses de 2026 repetirem o desempenho registrado no mesmo período do ano passado, o Brasil poderá encerrar o ano próximo de 1,26 milhão de bovinos vivos exportados.

Em 2025, o país embarcou cerca de 1,05 milhão de cabeças.

O possível crescimento reforça a trajetória de expansão da exportação brasileira de gado vivo e demonstra a força da demanda internacional pelos animais produzidos no país.

Faturamento pode chegar perto de US$ 1,6 bilhão

O recorde pode aparecer não apenas no número de animais exportados.

O faturamento também pode atingir um patamar histórico.

Considerando o preço médio registrado em 2026, calculado em US$ 1.253,71 por cabeça, a receita anual da exportação de bovinos vivos poderia alcançar aproximadamente US$ 1,58 bilhão.

O valor representaria um crescimento próximo de 51% em relação aos US$ 1,05 bilhão registrados em 2025.

Mesmo em um cenário mais conservador, considerando uma eventual redução das cotações para níveis próximos à média do ano anterior, o faturamento ainda poderia ficar perto de US$ 1,45 bilhão.

O cenário mostra que o principal diferencial de 2026 pode estar justamente no valor dos animais.

A pecuária brasileira caminha para combinar um volume elevado de exportações com preços internacionais recordes.

Exportação de gado vivo ganha importância para a pecuária

O desempenho observado em 2026 confirma que a exportação de gado vivo continuará sendo uma variável importante para o mercado pecuário brasileiro.

Volumes elevados, preços recordes e uma demanda internacional concentrada, mas firme, criam um ambiente capaz de influenciar a dinâmica de compra e venda de animais no país.

Para os pecuaristas, especialmente aqueles localizados em regiões estratégicas próximas aos corredores de exportação, a atividade representa mais uma possibilidade de escoamento da produção.

Ao mesmo tempo, o avanço da demanda internacional pode aumentar a competição pelos bovinos disponíveis e exercer influência sobre os preços da reposição.

Se as projeções da Scot Consultoria se confirmarem, 2026 poderá entrar para a história como um ano de recordes para a exportação brasileira de bovinos vivos.

Mais do que ultrapassar marcas em quantidade, o setor poderá registrar um salto ainda maior em valor.

Com a possibilidade de alcançar 1,26 milhão de cabeças exportadas e faturamento próximo de US$ 1,6 bilhão, o Brasil reforça sua posição como um importante fornecedor global de bovinos e evidencia a crescente relevância da exportação de gado vivo dentro do agronegócio nacional.

Fonte: Scot Consultoria, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e Comprerural.

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