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Excesso de chuva atrasa safra de mandioca no RS

21 Aug

O excesso de chuva voltou a interferir diretamente no ritmo das atividades agrícolas no Rio Grande do Sul. Desta vez, a cultura da mandioca enfrenta dificuldades tanto no encerramento da colheita da safra atual quanto no início do plantio das novas áreas. A elevada umidade do solo tem atrasado o preparo das lavouras, limitado o trânsito de máquinas e trabalhadores e, em regiões com drenagem deficiente, aumentado o risco de apodrecimento das raízes.

Dados divulgados pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira, dia 20, mostram que o cenário se repete em diferentes regiões produtoras do Estado. Enquanto alguns agricultores aceleram a retirada da mandioca das áreas mais vulneráveis, outros aguardam uma melhora nas condições climáticas para iniciar ou intensificar o plantio.

A situação evidencia como o clima continua sendo um dos principais fatores capazes de alterar o calendário da agricultura. No caso da mandioca, uma cultura reconhecida pela rusticidade e pela capacidade de adaptação a diferentes condições, o excesso de água também pode trazer problemas importantes, especialmente quando o solo permanece encharcado por períodos prolongados.

Excesso de umidade atrasa plantio de mandioca

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Santa Rosa, a implantação das novas lavouras está atrasada. A principal dificuldade está no preparo do solo, prejudicado pela sequência de dias chuvosos e pela elevada umidade nas áreas destinadas ao plantio.

Com o solo excessivamente úmido, as operações agrícolas se tornam mais difíceis. Além da impossibilidade de realizar determinadas atividades no momento adequado, o tráfego sobre áreas encharcadas pode provocar compactação e prejudicar as condições físicas do solo.

A colheita da mandioca na região também se aproxima da fase final. Segundo as informações divulgadas pela Emater/RS-Ascar, a produção ficou um pouco abaixo do volume registrado nos anos anteriores. Em algumas áreas, a umidade elevada provocou outro problema: o apodrecimento das raízes.

As situações mais delicadas são observadas em lavouras mais adensadas e com menor capacidade de drenagem. Nessas propriedades, os produtores passaram a acelerar a colheita para reduzir possíveis perdas. Parte da produção retirada das lavouras está sendo armazenada em câmaras frias existentes nas próprias propriedades.

A mandioca produzida na região é destinada principalmente ao consumo das famílias rurais. No entanto, parte da produção também é comercializada para terceiros. Outra parcela das raízes é utilizada na alimentação dos animais criados nas propriedades, demonstrando a versatilidade econômica da cultura para os pequenos e médios produtores.

No mercado local, a mandioca descascada e congelada é comercializada entre R$ 7,00 e R$ 10,00 por quilo, conforme as condições de comercialização e o destino da produção.

Chuva reduz ritmo das operações no Baixo Vale do Rio Pardo

Na região administrativa de Soledade, especialmente no Baixo Vale do Rio Pardo, o plantio da mandioca já começou. Entretanto, o avanço das operações ainda ocorre em um ritmo abaixo do esperado por causa das chuvas.

A expectativa é que o trabalho ganhe maior intensidade durante o mês de setembro, caso as condições climáticas permitam uma melhora na umidade do solo e no acesso às áreas de cultivo.

Um ponto considerado positivo pelos produtores neste ciclo é a disponibilidade de manivas. Segundo a Emater/RS-Ascar, há abundância de material propagativo neste ano, consequência da baixa incidência de geadas.

Como as geadas foram menos intensas ou menos frequentes em comparação com períodos anteriores, as plantas utilizadas como fonte de manivas mantiveram boa viabilidade. Isso significa que os produtores encontram maior disponibilidade de material para formar as novas lavouras, reduzindo uma das possíveis limitações para o avanço do plantio.

Enquanto novas áreas começam a ser implantadas, a colheita da mandioca também continua na região. A comercialização ocorre de forma intensa, atendendo principalmente os mercados locais e também o abastecimento da Ceasa.

Essa dinâmica faz com que produtores precisem administrar, ao mesmo tempo, o encerramento de parte da safra anterior e a preparação das áreas destinadas ao novo ciclo. Com a chuva interferindo nas duas etapas, o calendário agrícola acaba sendo ajustado conforme as condições de cada propriedade.

Colheita chega a 80% da área em São José do Hortêncio

Na região administrativa de Lajeado, o excesso de chuva também tem provocado mudanças no andamento das atividades. Em São José do Hortêncio, a colheita da mandioca já alcançou aproximadamente 80% da área total cultivada.

Apesar do avanço, o elevado volume de precipitações registrado nos últimos 30 dias retardou o preparo do solo e o plantio da nova safra. A situação exige atenção dos agricultores, especialmente porque a organização do calendário de cultivo depende de uma janela adequada para a realização das operações.

No município, a variedade Vassourinha continua sendo a principal escolha dos produtores. A preferência está relacionada à boa aceitação do produto pelo mercado consumidor, um fator importante para garantir a comercialização da produção.

Mesmo diante do excesso de umidade, não foram registrados prejuízos significativos na região durante o último mês. O cenário, portanto, é diferente das áreas onde a drenagem limitada já provocou perdas por apodrecimento das raízes.

A diferença entre as propriedades reforça a importância das condições do solo e do sistema de drenagem. Áreas com melhor capacidade de escoamento da água tendem a suportar períodos chuvosos com menor impacto sobre a qualidade das raízes e sobre o desenvolvimento das plantas.

Preço da mandioca na Ceasa de Porto Alegre

A comercialização segue movimentando a cadeia produtiva mesmo com as dificuldades enfrentadas no campo. Na Ceasa/POA, a cotação média da mandioca está em R$ 35,00 por caixa de 18 quilos.

O valor demonstra a importância do abastecimento regular dos centros consumidores, especialmente em um período no qual as condições climáticas dificultam o planejamento das operações agrícolas.

Para os produtores, a manutenção dos canais de comercialização é fundamental, já que a mandioca possui características que exigem atenção após a colheita. Dependendo do destino da produção, o armazenamento e o processamento podem ser necessários para preservar a qualidade e agregar valor ao produto.

O processamento da mandioca, como ocorre no caso do produto descascado e congelado, também representa uma alternativa para ampliar a vida útil da produção e alcançar diferentes mercados.

Unidade tecnológica reúne 17 variedades de mandioca

Além da produção comercial, São José do Hortêncio também se destaca pelo trabalho de avaliação de diferentes materiais genéticos. O município conta com uma Unidade de Referência Tecnológica dedicada à cultura da mandioca.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a unidade reúne 17 variedades, incluindo materiais destinados a ciclos de um e dois anos. O objetivo é acompanhar o desempenho das diferentes variedades e avaliar quais apresentam melhores resultados para distintos sistemas de produção.

O trabalho considera tanto variedades voltadas à alimentação humana quanto materiais que podem ser utilizados na alimentação animal. Essa diversidade é importante porque a mandioca possui múltiplas aplicações dentro da propriedade rural e na cadeia agroindustrial.

A comparação entre diferentes variedades permite observar características como produtividade, adaptação às condições locais, ciclo de desenvolvimento e potencial de utilização. Em um cenário de mudanças climáticas e maior ocorrência de eventos extremos, o conhecimento sobre o comportamento das variedades pode se tornar ainda mais importante para o planejamento dos produtores.

Clima passa a definir o ritmo da safra de mandioca no RS

O cenário atual da mandioca no Rio Grande do Sul mostra que a chuva é, neste momento, o principal fator condicionando o andamento da safra. O excesso de umidade tem efeitos distintos ao longo da cadeia produtiva.

De um lado, dificulta o preparo das áreas e atrasa o plantio da nova safra. De outro, aumenta os riscos durante a fase final da colheita, principalmente em solos compactados ou com drenagem insuficiente.

O apodrecimento das raízes é uma das principais preocupações nas áreas mais úmidas. Para evitar perdas maiores, alguns agricultores antecipam a retirada da produção e recorrem ao armazenamento em câmaras frias quando possuem essa estrutura disponível.

Ao mesmo tempo, há fatores positivos no início deste novo ciclo. A abundância de manivas, favorecida pela baixa incidência de geadas, garante boa disponibilidade de material propagativo para os produtores que pretendem ampliar ou renovar suas áreas.

A expectativa agora está voltada para o comportamento do clima nas próximas semanas. Caso haja uma redução no volume de chuvas e melhores condições para o trabalho no campo, o plantio da mandioca poderá ganhar ritmo, especialmente nas regiões onde as operações já foram iniciadas.

Por enquanto, o produtor gaúcho segue ajustando o calendário à realidade de cada propriedade. A safra de mandioca avança entre áreas que finalizam a colheita, lavouras que aguardam condições melhores para o plantio e produtores que precisam agir rapidamente para evitar perdas provocadas pelo excesso de água.

A situação reforça uma realidade cada vez mais presente no agronegócio: mesmo culturas consideradas resistentes dependem de um equilíbrio climático para expressar todo o seu potencial produtivo. No Rio Grande do Sul, a mandioca continua sendo uma importante alternativa para consumo, comercialização e alimentação animal, mas o andamento da nova safra dependerá, nas próximas semanas, de uma variável que o produtor não controla: o clima.

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