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igor . 9 min

Morango chega a R$ 50/kg no Rio Grande do Sul

31 Oct

Baixa luminosidade e excesso de umidade prejudicam o desenvolvimento das lavouras de morango no Rio Grande do Sul, reduzem a oferta em algumas regiões e favorecem o aparecimento de doenças fúngicas. Mesmo diante dos desafios climáticos, os preços permanecem atrativos, com valores que chegam a R$ 50 por quilo na venda direta ao consumidor.

A produção de morango no Rio Grande do Sul enfrenta dificuldades em diferentes regiões devido às condições climáticas registradas nas últimas semanas. A combinação de baixa luminosidade, umidade elevada e períodos prolongados de molhamento das plantas tem interferido no desenvolvimento das lavouras, atrasado a formação de novas floradas e favorecido o surgimento de doenças que comprometem a produtividade e a qualidade dos frutos.

O cenário também apresenta reflexos sobre a comercialização. Com a oferta limitada em determinadas localidades, os preços do morango permanecem em patamares considerados atrativos para os produtores. Dependendo da região, da qualidade do produto e do canal de venda, o quilo pode ser comercializado entre R$ 20 e R$ 50.

As informações constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar na quinta-feira, dia 29. O levantamento acompanha a situação da fruticultura gaúcha e aponta diferenças importantes entre as regiões produtoras, tanto no comportamento das lavouras quanto nos valores praticados pelo mercado.

Mercado de morango apresenta diferenças nos preços regionais

A comercialização do morango no Rio Grande do Sul segue marcada por variações regionais. Enquanto algumas localidades registram colheitas satisfatórias e boa procura pelo produto, outras enfrentam limitações na oferta em razão dos efeitos do clima sobre o desenvolvimento das plantas.

Na região administrativa de Caxias do Sul, os volumes comercializados permaneceram em níveis medianos durante a última semana. Os preços recebidos pelos produtores apresentaram relativa estabilidade, variando entre R$ 20 e R$ 30 por quilo nas vendas destinadas às Centrais de Abastecimento (Ceasas), intermediários e estabelecimentos comerciais.

Quando a comercialização acontece diretamente ao consumidor, os valores são mais elevados, oscilando entre R$ 25 e R$ 50/kg. A diferença está relacionada, entre outros fatores, ao canal de distribuição, à apresentação dos frutos e aos custos envolvidos na venda.

O morango congelado também possui espaço no mercado regional. Na área de Caxias do Sul, o produto é negociado entre R$ 12 e R$ 15/kg, representando uma alternativa para o aproveitamento da produção e a comercialização de frutos destinados ao processamento.

Na região de Lajeado, especialmente no município de Feliz, a situação produtiva é considerada normal. Os agricultores relataram uma semana de colheita bastante positiva, acompanhada de bons preços. O quilo do morango está sendo comercializado entre R$ 30 e R$ 35, conforme as condições de cada mercado.

Já na região de Pelotas, os preços apresentam uma amplitude maior, variando entre R$ 22 e R$ 40/kg. A qualidade dos frutos é um dos principais fatores considerados na definição dos valores. Para o morango congelado, a média de comercialização está próxima de R$ 10/kg.

Um dos fatores que tem contribuído para movimentar o mercado local é a continuidade da Feira do Morango em Pelotas. O evento ampliou as oportunidades de comercialização e estimulou a procura pelo produto, favorecendo os agricultores que participam diretamente das vendas.

Em Agudo, na região administrativa de Santa Maria, os preços alcançam valores ainda mais elevados. O quilo do morango fresco é vendido entre R$ 40 e R$ 50, especialmente nos pontos comerciais instalados às margens da BR-287. Durante os finais de semana, quando o movimento de consumidores aumenta, o produto chega a aproximadamente R$ 50/kg.

O morango congelado também apresenta uma cotação diferenciada no município, sendo comercializado por cerca de R$ 25/kg.

Na região de Santa Rosa, o preço médio recebido pelos produtores permanece em torno de R$ 35 por quilo, mantendo uma condição comercial relativamente favorável para os agricultores locais.

Baixa luminosidade atrasa floradas e limita a produção

Além das diferenças de preços, o levantamento da Emater/RS-Ascar destaca os impactos da luminosidade sobre o desenvolvimento das lavouras de morango. A disponibilidade de luz solar é um dos fatores importantes para o crescimento vegetativo, a formação de flores e o desenvolvimento dos frutos.

Quando os períodos de baixa luminosidade se prolongam, as plantas podem apresentar redução na emissão de novas floradas, comprometendo a sequência de colheitas e diminuindo o volume disponível para comercialização.

Na região de Caxias do Sul, algumas lavouras implantadas nos últimos meses com mudas de origem espanhola apresentam desenvolvimento vegetativo considerado adequado. Entretanto, parte dessas áreas ainda não iniciou a colheita.

O volume produzido neste período está abaixo do observado habitualmente, indicando um atraso significativo nos picos de floração e produção em comparação com safras anteriores.

Esse comportamento exige atenção dos produtores, principalmente porque o calendário de produção influencia diretamente a disponibilidade de morangos no mercado. Quando a colheita ocorre fora do período esperado, os agricultores podem enfrentar dificuldades para aproveitar determinadas janelas comerciais.

Em Santa Rosa, a baixa luminosidade também vem interferindo no ritmo de produção. A emissão de novas floradas está limitada, o que reduz a capacidade de renovação dos frutos e provoca reflexos sobre a oferta regional.

Apesar das dificuldades, os morangos colhidos apresentam características comerciais positivas. Os frutos estão registrando bom calibre, baixa acidez e excelente aparência, atributos que contribuem para sua aceitação entre os consumidores e comerciantes.

Na região de Agudo, por outro lado, alguns dias de maior incidência solar durante a última semana favoreceram o desenvolvimento das plantas. As lavouras continuam em plena fase produtiva, mantendo o abastecimento dos pontos de comercialização.

A diferença entre os resultados observados nas regiões demonstra como as condições climáticas podem influenciar de maneira distinta a produção de uma mesma cultura dentro do estado.

Excesso de umidade favorece doenças fúngicas nas lavouras

Se a falta de luminosidade preocupa os produtores, o excesso de umidade representa outro desafio importante para a cultura do morango no Rio Grande do Sul.

A permanência de água sobre folhas, flores e frutos cria condições favoráveis para o desenvolvimento de diversos agentes causadores de doenças. Em períodos de precipitação frequente e pouca ventilação, o molhamento prolongado das plantas pode aumentar a pressão de doenças fúngicas e provocar perdas na produção.

Na região de Lajeado, especialmente em Feliz, a elevada umidade relativa do ar e o prolongamento do período de molhamento das plantas aumentaram as condições favoráveis à ocorrência de mofo-cinzento, causado pelo fungo Botrytis cinerea, além de manchas foliares.

O mofo-cinzento merece atenção especial porque pode atingir diferentes partes da planta, principalmente flores e frutos. Quando encontra condições favoráveis para se desenvolver, provoca o apodrecimento dos morangos e compromete sua aparência, textura e qualidade comercial.

Os prejuízos podem ocorrer tanto durante o desenvolvimento dos frutos quanto no período posterior à colheita, dificultando o armazenamento e a comercialização.

Em Pelotas, a combinação entre umidade elevada, precipitações e baixa radiação solar também favorece o aumento da incidência de doenças fúngicas. Entre os problemas identificados estão o mofo-cinzento, associado a espécies de Botrytis, e o oídio.

Além das doenças, os agricultores da região continuam enfrentando a presença do ácaro-do-enfezamento, uma praga capaz de provocar danos significativos às plantas e comprometer seu desenvolvimento.

O monitoramento frequente das lavouras torna-se ainda mais importante diante desse cenário. A identificação dos primeiros sintomas permite que o produtor avalie a evolução dos problemas e adote medidas de manejo adequadas às condições de cada área.

Antracnose e podridões também exigem atenção dos agricultores

Na região de Santa Rosa, foram identificados ataques pontuais de ácaros e a ocorrência de doenças fúngicas, principalmente antracnose e diferentes tipos de podridões.

A antracnose pode provocar lesões nos frutos e em outras estruturas da planta, comprometendo a qualidade da produção. Em situações de maior incidência, as perdas podem atingir uma parcela significativa dos morangos, especialmente quando as condições ambientais favorecem a disseminação dos agentes causadores.

As podridões também representam um problema relevante para a fruticultura, pois reduzem o aproveitamento comercial dos frutos e podem acelerar as perdas durante o transporte e a exposição nos pontos de venda.

Diante dessas ocorrências, o acompanhamento técnico e a adoção de práticas preventivas são fundamentais para preservar a produtividade das lavouras.

Entre os cuidados importantes estão a retirada de frutos deteriorados, a manutenção da limpeza das áreas de cultivo, o manejo adequado da irrigação e a atenção à ventilação das plantas. A escolha de medidas de controle deve considerar a identificação correta do problema e as recomendações de profissionais habilitados.

O manejo preventivo ganha importância principalmente em períodos de instabilidade climática, quando as condições de umidade e temperatura podem mudar rapidamente.

Preços elevados e desafios climáticos movimentam a produção gaúcha

O atual cenário da cultura do morango no Rio Grande do Sul reúne dois movimentos que influenciam diretamente a atividade: de um lado, preços que permanecem atrativos em diferentes mercados; de outro, dificuldades produtivas relacionadas às condições climáticas.

A comercialização entre R$ 20 e R$ 50/kg demonstra a importância dos mercados regionais e da venda direta na formação da renda dos agricultores. Em localidades como Agudo, a procura pelo produto fresco e a localização dos pontos de venda às margens de uma rodovia movimentada ajudam a sustentar valores mais elevados.

Em Pelotas, a realização da Feira do Morango amplia as possibilidades de negociação e aproxima produtores e consumidores. Já em municípios como Feliz, a regularidade da produção permite que os agricultores mantenham um fluxo de comercialização considerado positivo.

Entretanto, os resultados econômicos precisam ser avaliados em conjunto com os custos de produção e os riscos relacionados às condições ambientais. A ocorrência de doenças, o atraso nas floradas e a redução da oferta podem comprometer o planejamento dos agricultores e exigir investimentos adicionais no manejo das lavouras.

Para as próximas semanas, o comportamento do clima será um dos fatores determinantes para a evolução da safra. A recuperação da luminosidade poderá contribuir para a formação de novas floradas e para a retomada do ritmo produtivo em regiões que apresentam atrasos.

Ao mesmo tempo, a redução dos períodos de molhamento das plantas será importante para diminuir as condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças fúngicas.

O acompanhamento das lavouras, aliado ao manejo fitossanitário e ao planejamento da comercialização, deverá continuar entre as principais preocupações dos produtores gaúchos.

Mesmo diante das dificuldades, a diversidade de mercados, a procura pelo morango fresco e as oportunidades de venda direta ajudam a sustentar a atividade. O desempenho da produção dependerá, principalmente, da evolução das condições climáticas e da capacidade dos agricultores de preservar a qualidade dos frutos ao longo do ciclo produtivo.

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