As exportações brasileiras de farelo de soja e milho devem registrar crescimento expressivo em outubro de 2026, reforçando a presença do agronegócio nacional no comércio internacional de grãos e derivados. Enquanto os embarques de farelo de soja apresentam previsão de alta de 44,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado, as vendas externas de milho também avançam, com crescimento estimado de 7,1%. Os números indicam uma mudança no ritmo das exportações agrícolas brasileiras, com maior participação de produtos processados e recuperação da movimentação do cereal nos principais corredores logísticos do País.
De acordo com projeções da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a movimentação conjunta de soja em grão, farelo de soja e milho poderá alcançar 14,74 milhões de toneladas em outubro. Considerando também outros produtos da pauta agrícola, como sorgo, trigo e grãos secos de destilaria, o volume total estimado chega a 16,03 milhões de toneladas, resultado 15,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
O cenário evidencia a importância da estrutura portuária brasileira para o escoamento da produção agrícola e mostra como diferentes segmentos da cadeia de grãos estão contribuindo para sustentar o desempenho das exportações do agronegócio.
Farelo de soja lidera crescimento das exportações brasileiras
Entre os produtos acompanhados pela Anec, o farelo de soja apresenta o avanço mais expressivo. A estimativa é de que o Brasil exporte aproximadamente 2,49 milhões de toneladas em outubro, diante de 1,73 milhão de toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025. A diferença representa um acréscimo de aproximadamente 763 mil toneladas, equivalente a uma expansão de 44,2%.
O resultado ocorre em um momento de valorização do derivado no mercado internacional. Além do aumento no volume comercializado, os preços mais elevados contribuíram para ampliar o faturamento das empresas brasileiras responsáveis pelo processamento da oleaginosa.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) reforçam esse movimento. Nos primeiros 16 dias úteis de outubro, o volume médio diário de farelo de soja exportado ficou 5,5% acima do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. No entanto, a valorização foi ainda mais significativa quando analisado o preço médio recebido pelos embarques, que apresentou crescimento de 24,8%.
Como consequência, a receita diária das exportações avançou 31,7% na comparação anual.
A diferença entre o crescimento dos volumes e o aumento do faturamento demonstra a influência dos preços internacionais sobre os resultados do setor. Para as indústrias de processamento, o cenário representa uma oportunidade de ampliar a comercialização de um produto que possui participação relevante na formação das receitas do complexo soja.
O farelo é obtido durante o esmagamento dos grãos e possui grande importância para a cadeia de proteína animal. Sua utilização está diretamente relacionada à fabricação de rações destinadas à avicultura, suinocultura, bovinocultura e outras atividades pecuárias.
Por esse motivo, a valorização internacional do produto também merece atenção dos produtores rurais e das indústrias brasileiras de carnes. Quando a procura externa aumenta, a disponibilidade doméstica pode sofrer alterações, influenciando as condições de negociação entre fornecedores, fábricas de ração e compradores.
Processamento de soja ganha importância na pauta exportadora
O crescimento das vendas externas de farelo também destaca o papel da indústria brasileira no processamento da produção agrícola.
Diferentemente da exportação de soja em grão, a comercialização de farelo envolve uma etapa industrial realizada antes de o produto chegar ao mercado internacional. Esse processo permite agregar valor à matéria-prima e ampliar a participação da indústria nacional no comércio global de derivados da oleaginosa.
O Brasil possui uma cadeia produtiva consolidada, com unidades de esmagamento distribuídas em diferentes regiões produtoras. A proximidade entre áreas agrícolas, instalações industriais e corredores de exportação contribui para a competitividade do setor.
Entretanto, o aumento dos embarques exige capacidade operacional para atender aos contratos internacionais. A disponibilidade de matéria-prima, o funcionamento das unidades industriais e a eficiência logística são fatores determinantes para que o País consiga aproveitar períodos de maior procura.
Segundo a programação da Anec, o Brasil poderá acumular 21,80 milhões de toneladas de farelo de soja exportadas entre janeiro e outubro de 2026.
Somente na última semana de outubro, entre os dias 25 e 31, estão previstos embarques de 621,1 mil toneladas. O Porto de Santos aparece na liderança, com previsão de movimentar 341,1 mil toneladas do produto.
Na sequência estão Rio Grande, com 126,7 mil toneladas, e Paranaguá, com 124,9 mil toneladas.
A concentração dos embarques nesses terminais demonstra a relevância dos portos do Sul e Sudeste para o comércio internacional de derivados da soja.
Exportações de milho avançam com maior disponibilidade do cereal
O milho também apresenta desempenho positivo na programação de outubro. A previsão é de que os embarques brasileiros alcancem 6,10 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 7,1% em relação às 5,69 milhões de toneladas estimadas para o mesmo período de 2025.
O volume representa um avanço de aproximadamente 406 mil toneladas na comparação anual. Além disso, supera as 5,31 milhões de toneladas registradas em setembro, indicando uma aceleração da movimentação do cereal nos portos brasileiros.
Parte desse desempenho está relacionada à maior disponibilidade de milho após a colheita da segunda safra, conhecida como safrinha. A produção dessa temporada possui papel fundamental no abastecimento interno e na formação dos excedentes destinados à exportação.
Em importantes regiões produtoras do Centro-Oeste, o volume colhido pode superar a capacidade de consumo imediato do mercado regional. Nesse contexto, as vendas internacionais funcionam como uma alternativa para o escoamento da produção, reduzindo a pressão sobre os estoques e contribuindo para a sustentação das cotações.
A demanda externa também ganha importância diante do crescimento do consumo doméstico de milho. O cereal é utilizado tanto na alimentação animal quanto na produção de etanol, segmento que vem ampliando sua participação na cadeia agroindustrial brasileira.
Essa combinação cria uma disputa entre diferentes destinos comerciais. De um lado, estão os compradores internacionais, que demandam grandes volumes para abastecimento de seus mercados. De outro, encontram-se as indústrias nacionais de rações, frigoríficos e usinas de biocombustíveis.
Para o produtor rural, a evolução dessas demandas influencia diretamente as estratégias de comercialização. A possibilidade de vender para exportadores ou atender à indústria doméstica amplia as alternativas disponíveis, embora os preços finais dependam de fatores como frete, armazenagem, qualidade do grão e condições regionais de oferta.
Santos, Barcarena e Itaqui concentram embarques de milho
A programação dos navios também evidencia a importância dos principais corredores de exportação para o escoamento do milho brasileiro.
Entre os dias 25 e 31 de outubro, estão previstos embarques de aproximadamente 1,79 milhão de toneladas do cereal. O Porto de Santos deverá responder pela maior parcela, com 637,3 mil toneladas programadas.
Barcarena aparece na sequência, com 246,6 mil toneladas, enquanto São Luís, por meio do terminal de Itaqui, deverá movimentar 211,9 mil toneladas.
A presença de terminais do Norte e Nordeste entre os principais pontos de saída do milho reforça a importância da diversificação logística brasileira.
Nos últimos anos, os corredores de exportação dessas regiões ganharam relevância para produtores do Centro-Oeste, especialmente em função das possibilidades de conexão com áreas de produção e da proximidade com mercados internacionais.
A eficiência desses corredores é um fator importante para a competitividade do milho brasileiro. Custos de transporte, disponibilidade de armazéns, capacidade de carregamento e condições de navegação podem influenciar o resultado econômico das operações.
No acumulado de janeiro a outubro, as exportações brasileiras de milho poderão alcançar 25,56 milhões de toneladas, segundo as estimativas da associação.
Soja em grão apresenta retração na comparação anual
Enquanto farelo de soja e milho apresentam perspectivas de crescimento, a soja em grão segue uma trajetória diferente em outubro.
A previsão da Anec aponta para embarques de 6,15 milhões de toneladas da oleaginosa durante o mês, volume 3,8% inferior ao registrado em outubro de 2025, quando as exportações alcançaram aproximadamente 6,40 milhões de toneladas.
A redução representa uma diferença de cerca de 250 mil toneladas na comparação anual.
Apesar do desempenho mensal mais moderado, a soja em grão continua sendo um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira. Caso a programação seja confirmada, o volume acumulado entre janeiro e outubro chegará a 107,55 milhões de toneladas.
O resultado reforça o peso da oleaginosa para a balança comercial do agronegócio e para a geração de receitas no setor agrícola.
A diferença entre o comportamento das exportações de soja em grão e farelo também chama atenção para a composição dos embarques brasileiros. Enquanto o produto in natura apresenta retração na comparação mensal, o derivado industrial registra crescimento expressivo.
Esse movimento não significa necessariamente uma redução da demanda internacional pela soja brasileira. O desempenho das exportações pode variar conforme o calendário de compras dos países importadores, a disponibilidade de estoques, os preços internacionais e o ritmo de comercialização da produção nacional.
Além disso, a destinação de parte da safra para o processamento interno influencia os volumes disponíveis para exportação na forma de grão.
Sorgo e DDGS ampliam a diversificação das exportações
Outro produto que aparece com destaque nas projeções de outubro é o sorgo. A expectativa é de que os embarques brasileiros alcancem 1,24 milhão de toneladas durante o mês, ampliando a participação desse cereal na movimentação dos portos nacionais.
O crescimento do mercado de sorgo representa uma alternativa comercial para produtores que trabalham com a diversificação de culturas. Em determinadas regiões, o cereal pode integrar o planejamento agrícola como opção para áreas de segunda safra, dependendo das condições climáticas, dos custos de produção e da disponibilidade de compradores.
A utilização do sorgo na alimentação animal também contribui para sua importância comercial, principalmente em mercados que buscam alternativas ao milho na composição das rações.
Outro destaque é o avanço dos grãos secos de destilaria com solúveis, conhecidos pela sigla DDGS. A Anec estima que o Brasil exporte 48,4 mil toneladas do produto em outubro.
O DDGS é um coproduto obtido durante a fabricação de etanol a partir de cereais, especialmente o milho. Após o processamento industrial, o material restante passa por etapas de secagem e pode ser utilizado como ingrediente na alimentação animal.
A presença desse produto na pauta exportadora acompanha a expansão das usinas de etanol de milho no território brasileiro.
Além de ampliar as possibilidades de comercialização da produção industrial, o aproveitamento dos coprodutos contribui para melhorar a eficiência econômica das unidades de processamento, criando novas fontes de receita a partir de uma mesma matéria-prima.
Agronegócio brasileiro deve movimentar mais de 159 milhões de toneladas
Considerando os principais produtos acompanhados pela Anec, a movimentação de soja em grão, farelo de soja, milho, sorgo, trigo e DDGS deverá alcançar 16,03 milhões de toneladas em outubro.
O volume representa crescimento de 15,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
No acumulado dos dez primeiros meses de 2026, as exportações desses produtos poderão atingir 159,02 milhões de toneladas, demonstrando a dimensão da participação brasileira no comércio internacional de produtos agrícolas.
Os números também revelam uma pauta exportadora cada vez mais diversificada, na qual diferentes segmentos da cadeia de grãos contribuem para o desempenho comercial do País.
A soja em grão continua concentrando a maior parte dos volumes embarcados, mas os resultados do farelo e do milho mostram que o processamento industrial e a demanda por outros cereais também possuem papel importante na movimentação portuária.
Para os produtores, o cenário reforça a necessidade de acompanhar não apenas as cotações das commodities, mas também o comportamento dos compradores internacionais, os custos logísticos e a capacidade de absorção do mercado interno.
No caso do milho, a expansão das exportações pode favorecer o escoamento dos excedentes da segunda safra. Para a soja, o desempenho do farelo destaca a importância da indústria de esmagamento e das oportunidades relacionadas à agregação de valor.
Já o avanço de produtos como sorgo e DDGS mostra que a diversificação da produção e o aproveitamento industrial dos cereais podem abrir novas possibilidades comerciais para o agronegócio brasileiro.
Perspectivas para o mercado de grãos dependem do ritmo dos embarques
Apesar das projeções positivas, os números apresentados pela Anec ainda são estimativas elaboradas com base na programação dos navios nos portos brasileiros. Portanto, os volumes previstos não representam resultados definitivos.
Alterações nas operações portuárias, condições climáticas, disponibilidade de mercadorias e ajustes na programação das embarcações podem modificar os números até o fechamento de outubro.
Mesmo com essa ressalva, as perspectivas apontam para um mês de movimentação intensa no comércio exterior agrícola.
O crescimento de 44,2% nas exportações de farelo de soja e o avanço de 7,1% nos embarques de milho mostram que o Brasil mantém espaço relevante no abastecimento internacional de produtos agropecuários.
O principal desafio será converter essa demanda em oportunidades efetivas para toda a cadeia produtiva. Isso envolve garantir competitividade aos produtores, eficiência às indústrias de processamento e capacidade logística para atender aos compradores internacionais.
Em um mercado cada vez mais conectado às oscilações da oferta e da demanda global, o desempenho das exportações brasileiras continuará sendo um dos indicadores importantes para acompanhar os rumos do agronegócio nacional.