Santa Catarina consolidou sua posição de destaque na pecuária leiteira brasileira ao registrar, em 2025, a maior produtividade de leite por vaca do país. Com uma média de 17,21 litros por animal ao dia, o estado superou em aproximadamente 76% o desempenho nacional, estimado em 9,78 litros diários. Os números evidenciam o avanço da eficiência produtiva nas propriedades catarinenses e reforçam a importância da tecnologia, do manejo e do aprimoramento genético para o desenvolvimento da atividade.
Os dados fazem parte de um levantamento elaborado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), por meio do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), com informações da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados foram apresentados no Boletim Agropecuário de outubro de 2026.
Além de ocupar a primeira colocação no ranking nacional de produtividade leiteira, Santa Catarina também apresentou crescimento expressivo no volume produzido. Em 2025, a produção estadual alcançou 3,43 bilhões de litros, o maior resultado registrado na última década. Na comparação com 2024, o avanço foi de 4,1%, demonstrando a capacidade de expansão da atividade mesmo diante da redução do número de animais destinados à ordenha.
O desempenho chama atenção porque acompanha uma mudança importante na estrutura da pecuária leiteira estadual. Em vez de depender exclusivamente do aumento do rebanho, os produtores catarinenses vêm ampliando a quantidade de leite obtida por animal, um movimento que contribui para melhorar o aproveitamento dos recursos disponíveis dentro das propriedades.
Produtividade do leite em Santa Catarina cresce 58,2% em dez anos
A evolução da pecuária leiteira catarinense fica ainda mais evidente quando observados os resultados de longo prazo. Em dez anos, a produtividade média estadual aumentou 58,2%, alcançando os atuais 17,21 litros por vaca ao dia.
O crescimento representa uma transformação significativa para uma atividade que possui grande relevância econômica e social no meio rural de Santa Catarina. A produção de leite está presente em diferentes regiões do estado, especialmente em propriedades familiares, nas quais a atividade representa uma das principais fontes de renda.
A elevação da produtividade está relacionada a diferentes fatores, entre eles a melhoria genética dos rebanhos, a qualidade da alimentação, o acompanhamento sanitário, o planejamento reprodutivo e a modernização das instalações utilizadas na ordenha.
A adoção de técnicas mais eficientes de manejo também contribui para que os animais apresentem melhores resultados ao longo dos ciclos produtivos. A disponibilidade de alimentos de qualidade, especialmente durante períodos de menor oferta de pastagens, é outro aspecto importante para manter a regularidade da produção.
Esse conjunto de melhorias permite que os produtores obtenham volumes maiores sem necessariamente ampliar a quantidade de animais. Na prática, o resultado pode representar melhor aproveitamento da estrutura existente, desde que os investimentos realizados sejam acompanhados por um controle adequado dos custos.
A diferença entre Santa Catarina e a média brasileira também demonstra a importância das características regionais e das estratégias adotadas pelos produtores. Enquanto o país registrou média de 9,78 litros por vaca ao dia, os catarinenses alcançaram 17,21 litros, uma distância expressiva entre os dois indicadores.
Produção aumenta mesmo com redução das vacas ordenhadas
Outro dado importante do levantamento da Epagri/Cepa é a diminuição do número de vacas utilizadas na produção leiteira. Em 2025, Santa Catarina contabilizou aproximadamente 780,6 mil animais ordenhados, uma redução de 3,3% em relação ao ano anterior.
Mesmo com um rebanho menor, o estado conseguiu elevar a produção total para 3,43 bilhões de litros. Ao mesmo tempo, a produtividade média avançou 7,9% na comparação anual.
A combinação desses indicadores demonstra que o crescimento da atividade está cada vez mais associado ao desempenho individual dos animais. Esse processo exige atenção permanente dos produtores, principalmente em relação à alimentação, à saúde do rebanho e à eficiência das operações realizadas nas propriedades.
A redução do número de vacas ordenhadas também pode estar relacionada a mudanças na composição dos rebanhos, com maior seleção de animais produtivos e descarte daqueles que apresentam desempenho inferior ou custos de manutenção elevados.
Para o produtor rural, entretanto, aumentar a produtividade não significa apenas produzir mais litros de leite. É necessário avaliar quanto custa obter cada litro e qual é a remuneração recebida pela indústria. Uma propriedade com elevada produção pode enfrentar dificuldades financeiras quando os gastos com alimentação, mão de obra, energia, medicamentos e manutenção aumentam em ritmo superior ao preço pago pelo produto.
Por isso, a eficiência econômica permanece como um dos principais desafios da pecuária leiteira, mesmo em regiões que apresentam indicadores produtivos superiores aos de outras partes do país.
Preço do leite ao produtor registra queda em outubro de 2026
Apesar dos resultados positivos na produção, o mercado catarinense apresentou uma movimentação menos favorável em relação à remuneração dos produtores.
De acordo com o levantamento divulgado em outubro de 2026, o preço pago pelo litro de leite ao produtor registrou recuo mensal de 2,2%, chegando a R$ 2,66.
A redução indica que o crescimento da produtividade não elimina as oscilações enfrentadas pelo setor. O mercado de leite é influenciado por fatores como disponibilidade de matéria-prima, demanda das indústrias, consumo das famílias, estoques de derivados e concorrência com produtos importados.
Mesmo com a queda observada em outubro, a comparação anual ainda apresentou resultado positivo. Em relação ao mesmo mês de 2025, o preço recebido pelos produtores catarinenses acumulou valorização de 7,7%.
Esse comportamento demonstra que a análise do mercado precisa considerar diferentes períodos. Uma redução mensal não representa necessariamente uma tendência prolongada de desvalorização, assim como uma alta anual não garante melhores margens de lucro para os produtores.
O custo de produção continua sendo determinante para a rentabilidade das propriedades. Despesas com milho, farelo de soja, silagem, suplementos minerais, combustível, energia elétrica e mão de obra podem comprometer os resultados quando os preços pagos pelo leite apresentam retração.
Nesse contexto, o planejamento financeiro e o acompanhamento dos indicadores de mercado tornam-se ferramentas importantes para orientar decisões sobre investimentos, reposição de animais e expansão da produção.
Exportações de lácteos catarinenses avançam em setembro
O comércio exterior também apresentou movimentações importantes para a cadeia leiteira de Santa Catarina. Em setembro de 2026, as exportações estaduais de produtos lácteos somaram 92,4 toneladas, um crescimento de 305,3% em relação ao volume registrado em agosto.
Apesar do avanço percentual expressivo, as vendas externas ainda permaneceram abaixo das importações realizadas pelo estado durante o mesmo período.
As compras internacionais totalizaram 515,2 toneladas em setembro, registrando uma redução de 38% na comparação mensal. Com esses resultados, o déficit comercial de lácteos ficou em 422,8 toneladas.
Embora a diminuição das importações represente uma mudança relevante no fluxo comercial, os números mostram que Santa Catarina ainda depende de fornecedores internacionais para complementar a disponibilidade de determinados produtos no mercado interno.
Entre os itens adquiridos no exterior, os queijos ocuparam a primeira posição, correspondendo a 64% do volume importado. Na sequência apareceram as gorduras lácteas, com participação de 18%, e o leite em pó, responsável por 12,4%.
A concentração das compras em derivados específicos evidencia a importância do comércio internacional para o abastecimento da indústria e do mercado consumidor.
Argentina concentra a maior parte das importações de lácteos
A Argentina permaneceu como principal origem dos produtos lácteos importados por Santa Catarina em setembro de 2026. O país respondeu por 80,8% do volume adquirido no exterior, mantendo uma participação bastante superior à dos demais fornecedores.
O Uruguai ocupou a segunda posição, com 15,1% das importações, enquanto os Estados Unidos representaram 3,7%.
A forte participação dos países do Mercosul está relacionada à integração comercial regional e à presença de uma cadeia leiteira consolidada nesses mercados. A proximidade geográfica também favorece as operações de transporte e distribuição, contribuindo para a circulação de derivados entre os países.
Para a produção nacional, a entrada de produtos estrangeiros representa um fator adicional na formação dos preços e na concorrência enfrentada pelas indústrias brasileiras. Dependendo das condições de oferta e demanda, os derivados importados podem influenciar as estratégias de compra da indústria e a remuneração da matéria-prima adquirida dos produtores.
Por esse motivo, acompanhar o comportamento das importações é importante para compreender o cenário econômico da atividade leiteira, especialmente em estados que possuem participação expressiva na produção nacional.
Pecuária leiteira catarinense enfrenta o desafio de conciliar produtividade e rentabilidade
Os indicadores divulgados pela Epagri/Cepa mostram que Santa Catarina conseguiu avançar em um dos principais aspectos da pecuária leiteira: a eficiência produtiva. O crescimento de 58,2% na produtividade em dez anos, aliado ao recorde de 3,43 bilhões de litros em 2025, demonstra a evolução da atividade no estado.
Entretanto, os resultados também evidenciam que o aumento da produção precisa estar acompanhado de condições comerciais favoráveis. A queda mensal de 2,2% no preço do leite em outubro e a permanência de um déficit no comércio exterior mostram que o setor continua exposto a fatores que ultrapassam os limites das propriedades rurais.
O desafio para os próximos anos será transformar os ganhos de produtividade em resultados econômicos consistentes. Isso envolve aperfeiçoar o manejo, investir em genética, melhorar a gestão das propriedades e buscar alternativas para reduzir os custos operacionais.
A liderança catarinense também reforça o papel da inovação e da assistência técnica no desenvolvimento da pecuária leiteira brasileira. O desempenho alcançado pelo estado demonstra que a modernização da produção pode ampliar a oferta mesmo sem o crescimento do rebanho, criando novas possibilidades para uma atividade que possui grande importância para o agronegócio nacional.