O agronegócio de Goiás registrou mais um resultado expressivo no comércio exterior em 2026. As exportações de carnes produzidas no estado alcançaram US$ 2,27 bilhões entre janeiro e setembro, representando um crescimento de 16,9% em comparação com os primeiros nove meses de 2025. O desempenho reforça a importância da pecuária goiana para a economia estadual e evidencia o avanço das proteínas animais brasileiras no mercado internacional.
Além do aumento no faturamento, os números mostram uma expansão geográfica das vendas. Durante o período analisado, as carnes de Goiás chegaram a 131 países, cinco destinos a mais do que no mesmo intervalo do ano anterior. A ampliação da presença internacional demonstra a capacidade do setor produtivo de atender diferentes mercados e acompanhar as exigências de compradores estrangeiros.
Os dados foram divulgados pelo Governo de Goiás, com base nas informações do sistema Comex Stat, plataforma oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro. O levantamento também está disponível no Painel de Comércio Exterior da Plataforma Aroeira, ferramenta disponibilizada pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).
O resultado acompanha uma trajetória positiva das exportações de proteínas animais goianas. Pelo terceiro ano consecutivo, o setor apresentou crescimento no acumulado de janeiro a setembro. Em 2025, as vendas externas já haviam registrado uma elevação de 18,7% em relação ao ano anterior, indicando uma sequência de avanços na participação das carnes no comércio internacional.
Participação das carnes cresce nas exportações do agronegócio goiano
Um dos aspectos mais relevantes do levantamento está na mudança da composição das exportações do agronegócio estadual. Entre janeiro e setembro de 2026, a participação das proteínas animais nas vendas externas de Goiás passou de 21,8% para 26%.
O crescimento mostra que a cadeia de carnes vem conquistando espaço na pauta exportadora estadual, diversificando as fontes de receita do setor agropecuário. Embora a soja continue ocupando a primeira posição entre os produtos comercializados internacionalmente, a pecuária apresenta uma evolução importante.
Esse movimento tem relação com a capacidade produtiva de Goiás, estado que possui participação expressiva na produção brasileira de bovinos e outras proteínas animais. A estrutura da cadeia pecuária, que envolve propriedades rurais, frigoríficos, transporte, armazenamento e logística de exportação, contribui para manter o abastecimento de diferentes mercados.
A expansão das vendas também evidencia a importância da diversificação comercial. Ao ampliar o número de países compradores, o setor passa a contar com mais alternativas para direcionar sua produção, reduzindo a dependência de um grupo restrito de destinos.
Para o agronegócio goiano, essa estratégia representa uma oportunidade de consolidar relações comerciais e ampliar a competitividade das empresas que atuam na produção e no processamento de carnes.
Estados Unidos ampliam compras e dividem liderança com a China
Entre os mercados que mais contribuíram para o resultado das exportações de carnes de Goiás, os Estados Unidos se destacaram pelo crescimento das importações.
As compras norte-americanas somaram US$ 458,8 milhões entre janeiro e setembro de 2026, contra US$ 274,2 milhões registrados no mesmo período de 2025. A diferença representa um avanço de 67,3%, colocando os Estados Unidos entre os principais compradores das proteínas animais produzidas no estado.
Com esse resultado, o mercado norte-americano passou a dividir com a China a liderança entre os destinos das carnes goianas. As exportações destinadas aos chineses alcançaram US$ 420,9 milhões no período.
A aproximação entre os dois mercados revela mudanças importantes na distribuição das vendas internacionais. Historicamente, a China ocupa uma posição de destaque na compra de produtos agropecuários brasileiros, especialmente carne bovina. Entretanto, o avanço das aquisições pelos Estados Unidos demonstra que outros compradores também estão ganhando relevância na pauta exportadora estadual.
O México aparece na terceira posição entre os principais destinos das carnes goianas, com US$ 173,3 milhões em importações. A carne bovina representa a maior parte desse valor, correspondendo a 92,8% das compras mexicanas.
A concentração das importações mexicanas nesse tipo de proteína reforça a importância da bovinocultura para as relações comerciais entre Goiás e os países da América do Norte.
A presença de compradores de diferentes regiões também contribui para ampliar as oportunidades de negócios para os frigoríficos e produtores envolvidos na cadeia pecuária. Com mais mercados disponíveis, o setor ganha possibilidades adicionais de comercialização, desde que consiga atender aos padrões sanitários, comerciais e de qualidade exigidos por cada país.
Complexo soja mantém liderança nas exportações de Goiás
Apesar do crescimento das proteínas animais, o complexo soja continua sendo o principal responsável pelas exportações do agronegócio goiano.
O segmento, que reúne soja em grãos, farelo e óleo de soja, movimentou US$ 5,41 bilhões entre janeiro e setembro de 2026. O valor representa um aumento de 0,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
A participação do complexo soja correspondeu a 61,9% de todas as exportações goianas, mantendo uma distância significativa em relação aos demais setores da pauta comercial.
Mesmo com uma variação relativamente pequena no faturamento total, o segmento apresentou um indicador positivo relacionado à valorização dos produtos. O preço médio por tonelada exportada aumentou 7,4%, alcançando US$ 426,89.
Esse comportamento mostra que o desempenho financeiro das exportações não depende exclusivamente do volume comercializado. As oscilações nas cotações internacionais, as características dos produtos embarcados e as condições de negociação também influenciam diretamente o valor obtido pelos exportadores.
A soja continua desempenhando um papel estratégico para a economia estadual, movimentando diferentes atividades ligadas à produção agrícola, ao armazenamento, ao processamento industrial e à infraestrutura logística.
A força dessa cadeia também ajuda a explicar a posição de Goiás entre os principais estados brasileiros no comércio internacional de produtos agropecuários.
China concentra compras de soja goiana
No caso do complexo soja, a China permanece como o principal destino das exportações goianas.
As vendas destinadas ao mercado chinês alcançaram aproximadamente US$ 3,4 bilhões até setembro de 2026. Esse montante correspondeu a 83,8% do total exportado por Goiás para o país asiático, considerando os produtos do agronegócio.
Somente durante o terceiro trimestre, cerca de US$ 1,2 bilhão em produtos do complexo soja foi embarcado para a China.
A forte participação chinesa está relacionada à demanda do país por matérias-primas utilizadas na alimentação animal, na indústria de alimentos e em diferentes segmentos da cadeia produtiva.
A importância desse mercado para Goiás também evidencia a necessidade de manter relações comerciais sólidas com compradores internacionais. A China representa um destino estratégico não apenas para os produtores de soja, mas também para outros setores do agronegócio brasileiro.
Apesar da concentração das vendas no mercado asiático, o levantamento aponta uma ampliação do número de países compradores. Até setembro, os produtos do complexo soja goiano chegaram a 46 destinos internacionais, quatro a mais do que no encerramento do primeiro semestre de 2026.
Entre os outros compradores que se destacaram estão a Tailândia, com US$ 240 milhões em importações, e a Polônia, que adquiriu US$ 194,5 milhões em produtos.
O Paquistão aparece na sequência, com US$ 182,4 milhões, seguido pela Indonésia, cujas compras alcançaram US$ 164,8 milhões.
A presença desses países demonstra que, embora a China concentre a maior parcela das vendas, existem outros mercados com participação relevante na comercialização da soja produzida em Goiás.
Diversificação fortalece o agronegócio goiano
O crescimento das exportações de carnes e a manutenção da liderança do complexo soja mostram como diferentes cadeias produtivas contribuem para o desempenho econômico do agronegócio de Goiás.
Enquanto as proteínas animais ampliaram sua participação nas vendas externas e conquistaram novos destinos, a soja continuou respondendo pela maior parcela do faturamento internacional do estado.
Essa combinação é importante para a estrutura econômica do setor agropecuário. A presença de diferentes atividades produtivas permite ampliar as possibilidades comerciais e movimentar segmentos que possuem características próprias, mas que também compartilham estruturas de transporte, armazenagem e distribuição.
Em manifestação sobre os resultados, o titular da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, destacou a diversidade da produção agropecuária goiana e a capacidade do estado de atender tanto aos compradores internacionais quanto à demanda do mercado brasileiro.
A avaliação acompanha os números apresentados pelo levantamento, que mostram o avanço simultâneo de diferentes cadeias do agronegócio estadual.
Para os próximos períodos, a manutenção desse desempenho dependerá de fatores como as condições do mercado internacional, a demanda dos países importadores, os preços das commodities, a competitividade dos produtos brasileiros e a capacidade de atendimento às exigências comerciais e sanitárias.
No setor de carnes, a ampliação dos destinos internacionais será um dos aspectos importantes para acompanhar a evolução das exportações. Já no complexo soja, a manutenção da demanda asiática e a abertura de novos mercados continuarão influenciando os resultados.
Goiás amplia sua importância no comércio internacional do agronegócio
Os números registrados até setembro de 2026 confirmam a relevância de Goiás no cenário agroexportador brasileiro. Com US$ 2,27 bilhões movimentados pelas exportações de carnes e US$ 5,41 bilhões provenientes do complexo soja, os dois segmentos demonstram a força da produção agropecuária estadual.
O avanço de 16,9% nas vendas externas de proteínas animais, acompanhado da chegada a 131 países, representa um dos principais destaques do período. A participação das carnes na pauta exportadora também aumentou, passando a responder por 26% das vendas externas do agronegócio goiano.
Ao mesmo tempo, a soja preservou sua posição de liderança, sustentada principalmente pelas compras chinesas e pela presença de outros importadores internacionais.
O cenário evidencia um agronegócio com diferentes fontes de crescimento e uma presença comercial cada vez mais diversificada. Para Goiás, a combinação entre pecuária e agricultura continua sendo um dos principais pilares da atividade econômica, com reflexos que ultrapassam as propriedades rurais e alcançam a indústria, os serviços, a logística e o comércio exterior.