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igor . 13 min

Soja e café disparam e impulsionam superávit do Brasil

09 Oct

As exportações brasileiras de soja e café ajudaram a sustentar o crescimento do comércio exterior em setembro de 2026. Mesmo com a queda nas vendas internacionais de milho, carne bovina e açúcar, o Brasil registrou superávit comercial equivalente a R$ 38,9 bilhões no mês, resultado 146,4% superior ao observado em setembro de 2025. Os números divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) mostram um cenário de contrastes para o agronegócio brasileiro, com diferenças importantes entre as cadeias produtivas.

A receita obtida com as exportações da agropecuária avançou 4,8% na comparação anual, alcançando o equivalente a R$ 35,1 bilhões. Dentro desse resultado, a soja e o café tiveram participação relevante, com crescimento das receitas provenientes das vendas ao mercado internacional. Por outro lado, o recuo nas exportações de milho e de determinados produtos de origem animal evidencia que o desempenho do setor não ocorreu de maneira uniforme.

O resultado também foi influenciado pelo comportamento de outros segmentos da economia, especialmente a indústria extrativa, que registrou forte contribuição das exportações de petróleo. Dessa forma, embora o agronegócio tenha ajudado a ampliar a entrada de recursos no País, o crescimento do superávit comercial brasileiro não pode ser atribuído exclusivamente às atividades agropecuárias.

Exportações de soja crescem e reforçam a balança comercial

A soja brasileira manteve sua importância no comércio exterior em setembro. A receita com as exportações do grão aumentou 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, reforçando a participação da oleaginosa na geração de divisas para o Brasil.

O desempenho ocorre em um contexto no qual o mercado internacional acompanha de perto a disponibilidade de grãos, a demanda dos principais importadores e as condições de oferta dos grandes países produtores. A posição brasileira nesse mercado depende de fatores como produtividade das lavouras, custos logísticos, competitividade dos preços e ritmo de comercialização da safra.

A China continua entre os principais destinos da soja brasileira, contribuindo para a sustentação das vendas externas do complexo soja. A demanda internacional por grãos também influencia o planejamento dos produtores, das cooperativas, das tradings e das empresas responsáveis pelo transporte e armazenamento da produção.

Além das exportações do produto in natura, o processamento industrial amplia a participação da soja na pauta comercial brasileira. Farelo e outros derivados são utilizados na fabricação de rações e na alimentação animal, atendendo a mercados que demandam produtos com diferentes níveis de processamento.

Esse movimento ajuda a explicar por que o impacto econômico da soja ultrapassa os valores contabilizados exclusivamente na categoria agropecuária. Parte dos produtos derivados da oleaginosa aparece nas estatísticas comerciais como integrante da indústria de transformação.

Para o produtor rural, entretanto, o aumento da receita brasileira com as exportações não representa, necessariamente, uma valorização proporcional do preço recebido pela saca. A remuneração depende de fatores como cotação internacional, prêmio de exportação, câmbio, frete, despesas de comercialização e condições de oferta e demanda em cada região.

Café amplia receita com as vendas ao exterior

O café também apresentou resultado positivo em setembro. As exportações brasileiras de café não torrado registraram crescimento de 8,7% na receita em comparação com o mesmo mês de 2025.

O avanço reforça a importância da cafeicultura para a geração de receitas externas, especialmente em um mercado no qual a disponibilidade do produto, a qualidade dos grãos e as oscilações das cotações internacionais influenciam diretamente as negociações.

O Brasil ocupa posição de destaque na produção e exportação mundial de café, abastecendo diferentes mercados consumidores. A comercialização internacional envolve tanto o café arábica quanto o conilon, que atendem a segmentos distintos da indústria e dos consumidores.

As condições climáticas nas regiões produtoras, os custos de produção, a produtividade das lavouras e os estoques disponíveis são alguns dos fatores que podem influenciar a oferta brasileira. No mercado internacional, mudanças na produção de outros países também interferem na formação dos preços.

O crescimento da receita em setembro indica que o café contribuiu positivamente para o desempenho das exportações brasileiras. Ainda assim, a análise do resultado precisa considerar a diferença entre valor e volume embarcado. Uma elevação da receita pode decorrer de preços médios maiores, de uma quantidade exportada superior ou da combinação dos dois fatores.

Para os cafeicultores, acompanhar esses indicadores é importante para avaliar as oportunidades de comercialização e organizar as decisões financeiras da propriedade. A evolução das exportações oferece informações relevantes sobre o mercado, mas deve ser observada em conjunto com os custos de colheita, beneficiamento, armazenamento e transporte.

Milho registra queda de 17% nas exportações

Enquanto soja e café apresentaram crescimento, o milho brasileiro seguiu uma trajetória diferente. As exportações do cereal registraram queda de 17% em setembro, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O resultado demonstra que o comportamento das commodities agrícolas pode variar significativamente, mesmo quando os produtos fazem parte da mesma pauta de exportações. Cada cadeia responde a condições próprias de oferta, demanda, preços, logística e concorrência internacional.

No caso do milho, o ritmo dos embarques depende da disponibilidade interna do cereal, do calendário de colheita, da demanda dos compradores estrangeiros e da competitividade brasileira diante de outros fornecedores. As condições de transporte até os portos e os custos de movimentação também podem influenciar o momento em que os negócios são realizados.

O mercado interno representa outro elemento importante para a formação dos preços. A demanda das indústrias de rações, da avicultura, da suinocultura e da produção de etanol de milho pode alterar a distribuição do cereal entre compradores nacionais e internacionais.

A redução de 17% no valor exportado, porém, não significa necessariamente que o volume embarcado tenha diminuído na mesma proporção. Para determinar o comportamento físico das exportações, é necessário observar os dados específicos de quantidade, além dos preços médios praticados no período.

Para os produtores, a evolução das vendas externas funciona como um dos indicadores para acompanhar a dinâmica do mercado. A decisão de vender, armazenar ou negociar parte da produção deve levar em conta os custos de carregamento, a capacidade de armazenagem, o fluxo de caixa e as perspectivas de preços na região.

Exportações de carne bovina recuam 30,6%

A indústria brasileira de transformação também apresentou resultados distintos entre seus segmentos. Em setembro, as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada registraram queda de 30,6% no valor em comparação com o mesmo mês de 2025.

O desempenho contrasta com a expansão observada nas vendas externas de soja e café e chama a atenção para a importância de analisar separadamente os diferentes produtos que compõem o agronegócio.

A comercialização internacional da carne bovina depende de uma combinação de fatores, entre eles a demanda dos países compradores, as condições sanitárias, os preços internacionais e a disponibilidade de animais para abate. A competitividade também está relacionada aos custos da pecuária, ao rendimento industrial e às despesas logísticas.

Outro aspecto relevante é a composição dos mercados de destino. Mudanças nas compras de determinados países podem afetar o resultado mensal, especialmente quando uma parcela expressiva das exportações está concentrada em poucos compradores.

A queda registrada pelo Mdic se refere ao valor exportado na categoria considerada. Portanto, não é possível concluir, apenas com esse percentual, que os embarques físicos tenham recuado na mesma intensidade.

Para os pecuaristas, os números do comércio exterior devem ser acompanhados junto com as cotações do boi gordo, os custos de alimentação, a disponibilidade de pastagens e o ritmo de compra dos frigoríficos. A relação entre esses fatores influencia a rentabilidade da atividade e a capacidade de planejamento dos sistemas de produção.

Açúcar e melaços também perdem espaço

Outro segmento que apresentou retração foi o de açúcares e melaços. As exportações desses produtos diminuíram 24,9% em setembro, considerando o valor das vendas externas.

O resultado mostra que o desempenho da cadeia sucroenergética não acompanhou, naquele mês, a evolução positiva registrada pela soja e pelo café. A comercialização internacional de açúcar é influenciada pelas cotações globais, pela disponibilidade de oferta dos países produtores e pelas decisões das usinas sobre a destinação da matéria-prima.

No Brasil, a escolha entre produzir açúcar ou etanol envolve fatores econômicos e operacionais. Os preços relativos dos produtos, a demanda interna por combustíveis, as condições de mercado e a estratégia industrial podem interferir na distribuição da cana-de-açúcar entre os diferentes destinos.

Também nesse caso, a variação do valor exportado não equivale automaticamente à variação do volume vendido. A análise mais completa exige observar a quantidade embarcada e os preços médios recebidos pelos exportadores.

Apesar da retração mensal, o açúcar continua sendo um produto importante para a presença brasileira no comércio agrícola internacional. O resultado de setembro deve ser interpretado dentro de um contexto mais amplo, que considere a evolução das vendas ao longo do ano e as condições do mercado mundial.

Produtos processados ampliam participação do agronegócio

Além dos grãos comercializados diretamente, os produtos processados também contribuíram para o desempenho das exportações brasileiras. Na indústria de transformação, o grupo formado por farelos de soja, outros alimentos para animais e farinhas de origem animal apresentou crescimento de 47,7% em setembro.

A expansão evidencia a relevância das atividades industriais ligadas às cadeias agropecuárias. O processamento da produção rural permite diversificar os produtos vendidos ao exterior e ampliar a participação brasileira em segmentos que vão além da exportação de matérias-primas.

Os farelos de soja, por exemplo, são amplamente utilizados na fabricação de rações destinadas à produção de carnes, ovos e leite. Dessa maneira, o complexo soja está conectado a diferentes atividades da economia, desde a produção de grãos até a indústria de alimentação animal e as cadeias de proteína.

A transformação industrial também movimenta unidades de processamento, armazéns, transportadoras, operadores portuários e empresas de serviços. O resultado econômico, portanto, envolve uma rede de atividades que conecta a produção agrícola aos compradores internacionais.

Essa característica ajuda a compreender uma particularidade das estatísticas do comércio exterior: nem todos os produtos relacionados ao agronegócio aparecem na classificação de agropecuária utilizada pelo governo.

Os R$ 35,1 bilhões registrados nessa categoria em setembro não representam a totalidade das exportações vinculadas ao setor. Carnes, açúcar, farelos e outros produtos processados podem ser contabilizados em grupos da indústria de transformação.

A distinção é importante para interpretar corretamente os dados e evitar que a contribuição do agronegócio seja avaliada com base em uma única categoria estatística.

Superávit comercial chega a R$ 38,9 bilhões

O Brasil encerrou setembro com exportações totais equivalentes a R$ 172,8 bilhões, crescimento de 12,9% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações, por sua vez, somaram R$ 133,9 bilhões, com recuo de 2,4%.

A combinação entre o aumento das vendas externas e a redução das compras internacionais ampliou o saldo positivo da balança comercial. O superávit alcançou R$ 38,9 bilhões, resultado 146,4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Segundo os dados apresentados pelo Mdic, esse foi o segundo maior superávit comercial para setembro na série histórica, ficando atrás apenas do resultado de 2023.

Embora a agropecuária tenha contribuído para o desempenho, o avanço das exportações brasileiras também foi impulsionado pela indústria extrativa, especialmente pelo petróleo. Isso significa que o resultado nacional refletiu a participação de diferentes setores produtivos.

A balança comercial é calculada pela diferença entre o valor das exportações e o das importações. Quando as vendas superam as compras, o País registra superávit; quando ocorre o contrário, há déficit comercial.

Esse indicador ajuda a dimensionar o desempenho das transações de mercadorias com outros países, mas não deve ser confundido com o lucro das empresas exportadoras ou com a rentabilidade dos produtores rurais.

China e União Europeia ampliam compras do Brasil

O comportamento dos mercados de destino também merece atenção. No acumulado de janeiro a setembro de 2026, as exportações brasileiras para a China cresceram 12%, alcançando o equivalente a R$ 425,1 bilhões.

Para a União Europeia, a expansão foi de 20%, com vendas equivalentes a R$ 221,6 bilhões no período.

Os números abrangem o conjunto da pauta exportadora brasileira, e não apenas os produtos agropecuários. Ainda assim, são relevantes para o agronegócio, considerando a participação de commodities agrícolas e de produtos alimentícios no comércio internacional do País.

A China tem importância estratégica para as exportações brasileiras, especialmente na compra de soja e outras matérias-primas. Já o mercado europeu representa uma oportunidade para diferentes segmentos, embora o acesso possa envolver exigências específicas de qualidade, rastreabilidade e conformidade ambiental e sanitária.

A diversificação dos destinos comerciais pode ajudar a reduzir a dependência de mercados específicos, mas exige competitividade, regularidade de fornecimento e capacidade de atender às condições estabelecidas pelos compradores.

No caso dos Estados Unidos, as exportações brasileiras cresceram 31,9% em setembro. Apesar da recuperação mensal, as vendas acumuladas de janeiro a setembro ainda apresentavam queda de 6,5% em relação ao período correspondente do ano anterior.

Esses indicadores também incluem todos os setores da economia. Para identificar seus efeitos sobre o agronegócio, é necessário observar os dados específicos de cada produto e destino.

Previsão de superávit para 2026 é revisada

Apesar do resultado positivo de setembro, o Mdic reduziu a previsão de superávit comercial brasileiro para 2026. A estimativa passou do equivalente a R$ 451,8 bilhões para R$ 423,7 bilhões, em uma revisão associada principalmente às perspectivas para os preços do petróleo.

Até setembro, o saldo positivo acumulado da balança comercial chegou a R$ 313,2 bilhões, crescimento de 34,8% na comparação com o período correspondente do ano anterior.

A revisão das projeções mostra que o resultado de um único mês não determina, isoladamente, o comportamento esperado para o restante do ano. As estimativas dependem das condições do mercado internacional, da evolução das exportações, do custo das importações e do comportamento dos preços das principais commodities.

Para o agronegócio, o cenário exige atenção às mudanças na demanda externa e às condições de comercialização. Oscilações nas cotações internacionais podem alterar as receitas das exportações, enquanto o câmbio interfere no valor recebido em reais pelos vendedores brasileiros.

Também é necessário acompanhar os custos de produção e de transporte, que podem reduzir as margens mesmo quando as vendas externas apresentam crescimento.

O que os números representam para o produtor rural?

O avanço das exportações de soja e café demonstra a importância dessas culturas para o comércio exterior brasileiro. Ao mesmo tempo, a queda nas vendas internacionais de milho, carne bovina e açúcar reforça que o desempenho do agronegócio depende das condições particulares de cada cadeia produtiva.

Para quem está no campo, os indicadores nacionais funcionam como referência para acompanhar tendências, mas não substituem a análise do mercado regional e dos custos da propriedade.

Na produção de soja, por exemplo, a receita final depende do preço da saca, da produtividade, do custo dos insumos, do frete e das condições de negociação. Na cafeicultura, despesas com mão de obra, colheita e beneficiamento têm influência direta sobre o resultado financeiro. Já na pecuária, os custos de alimentação, a reposição dos animais e o valor pago pelos frigoríficos interferem na margem do produtor.

O mesmo raciocínio vale para o milho, cuja rentabilidade depende tanto da produtividade quanto das condições de comercialização e da demanda regional.

Por isso, o crescimento das exportações precisa ser analisado em conjunto com os preços efetivamente recebidos, as despesas operacionais e o planejamento financeiro. Uma receita maior no comércio exterior pode representar uma oportunidade para determinados segmentos, mas não garante, por si só, aumento de rentabilidade em todas as propriedades.

Os resultados de setembro mostram um Brasil com desempenho comercial positivo, sustentado por diferentes setores e com contribuição importante de produtos agropecuários. Para os próximos meses, a evolução das cotações, da demanda internacional e dos custos de produção continuará sendo determinante para definir como esse cenário poderá se refletir no campo.

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