Levantamento aponta crescimento das lavouras e da produção agropecuária, enquanto o Paraná registra a maior área de cobertura florestal desde 1986
O Paraná vem demonstrando que crescimento do agronegócio e preservação ambiental podem caminhar lado a lado. Um novo levantamento sobre o uso e a ocupação do solo no estado mostra um cenário que chama atenção: enquanto a área cultivada com soja continua avançando e consolidando sua importância para a economia rural, a cobertura florestal paranaense também cresceu em 2025.
Os dados divulgados pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), com base nas informações da coleção 11 do MapBiomas, mostram que a formação florestal passou de 5,31 milhões para 5,32 milhões de hectares entre 2024 e 2025.
O crescimento foi de aproximadamente 9 mil hectares em apenas um ano. Mais do que isso, o resultado representa a maior área de cobertura florestal registrada no Paraná desde 1986, quando o estado contabilizava cerca de 5,36 milhões de hectares de formações florestais.
O avanço acontece em um momento de profundas transformações na ocupação do território paranaense. A soja amplia sua presença, as áreas de pastagem continuam diminuindo e parte do espaço anteriormente ocupado por atividades produtivas abre caminho para a regeneração da vegetação nativa.
Cobertura florestal cresce e alcança maior nível em décadas
O aumento da cobertura florestal é um dos principais destaques do levantamento divulgado pelo Deral. Mesmo sendo um dos maiores produtores agrícolas do Brasil e tendo a soja como uma de suas principais atividades econômicas, o Paraná conseguiu ampliar a presença de áreas florestais em seu território.
Atualmente, são 5,32 milhões de hectares de formação florestal. O número coloca 2025 entre os melhores resultados das últimas décadas e reforça uma tendência observada ao longo dos últimos 25 anos.
Nesse período, a participação das florestas nativas no território paranaense aumentou de aproximadamente 25% para 27%. Houve uma breve interrupção nessa trajetória entre 2020 e 2022, mas os dados mais recentes mostram a retomada do crescimento da cobertura vegetal.
A recuperação e a regeneração de áreas nativas ganham importância especialmente em um estado onde a agricultura possui forte presença territorial e grande peso na economia.
O resultado também reforça um debate cada vez mais presente no agronegócio brasileiro: a possibilidade de aumentar a produção sem necessariamente ampliar proporcionalmente a ocupação territorial.
Soja impulsiona crescimento das lavouras no Paraná
Enquanto a cobertura florestal cresceu, a agricultura também registrou expansão entre 2024 e 2025. A área agrícola aumentou cerca de 61 mil hectares, movimento impulsionado principalmente pelo avanço da soja sobre áreas anteriormente utilizadas como pastagem.
A oleaginosa reforçou sua posição como principal cultura agrícola do Paraná e alcançou uma área de aproximadamente 6,02 milhões de hectares.
O crescimento da soja confirma a força da cultura dentro do agronegócio paranaense. O estado ocupa posição estratégica na produção nacional do grão, com uma cadeia produtiva estruturada, presença de cooperativas, armazenagem, indústrias de processamento e uma ampla rede de produtores rurais.
A expansão registrada, no entanto, não significa que o Paraná esteja vivendo o maior nível histórico de ocupação agrícola.
Segundo o levantamento, a agricultura ocupa atualmente cerca de 13,56 milhões de hectares. O número permanece abaixo dos 14,12 milhões de hectares registrados no ano 2000, considerado o maior patamar histórico da ocupação agrícola no estado.
Esse dado ajuda a explicar uma das principais transformações observadas no campo paranaense: a produção rural cresceu de forma significativa, enquanto a participação territorial das áreas agrícolas diminuiu ao longo das últimas décadas.
Pastagens perdem espaço para lavouras
A principal mudança na ocupação do solo entre 2024 e 2025 ocorreu justamente nas áreas de pastagem.
O Paraná registrou uma redução de aproximadamente 57 mil hectares de pastagens no período. Grande parte dessa área foi convertida para atividades agrícolas, especialmente para o cultivo de lavouras.
Com isso, a área de pastagens no estado recuou para cerca de 3,45 milhões de hectares.
A redução não é um fenômeno recente. Os dados mostram que as pastagens vêm diminuindo no Paraná há décadas. Em 1987, por exemplo, esse tipo de ocupação alcançava aproximadamente 6,60 milhões de hectares.
A diferença entre aquele período e o cenário atual revela uma transformação importante na estrutura produtiva rural.
Parte das antigas áreas destinadas à pecuária foi incorporada à agricultura. Ao mesmo tempo, outra parcela passou por processos de recuperação ambiental, regeneração da vegetação nativa ou mudanças para outros usos do solo.
A modernização da pecuária também ajuda a explicar essa tendência. Sistemas mais produtivos permitem maior produção animal em áreas menores, reduzindo a necessidade de grandes extensões de pastagens.
Agricultura também avançou sobre áreas de silvicultura
Outra mudança observada entre 2024 e 2025 envolveu áreas destinadas à silvicultura.
Segundo o levantamento, cerca de 5 mil hectares anteriormente ocupados por essa atividade passaram a ser utilizados pela agricultura.
Mesmo assim, a silvicultura continua ocupando uma área expressiva no Paraná, com aproximadamente 1,22 milhão de hectares.
O número está próximo do maior nível histórico registrado para essa atividade, de cerca de 1,25 milhão de hectares, alcançado em 2022.
A presença da silvicultura é importante para diferentes cadeias produtivas do estado, especialmente setores ligados à madeira, papel, celulose, energia e produtos florestais.
Quando considerados conjuntamente os espaços ocupados por pastagens, silvicultura, lavouras e mosaicos agrícolas, houve uma redução total de aproximadamente 14 mil hectares.
Essa diminuição abriu espaço para a regeneração da mata nativa, contribuindo diretamente para o crescimento da cobertura florestal registrado em 2025.
Paraná produz mais mesmo ocupando menos território agrícola
Talvez um dos dados mais relevantes apresentados pelo Deral esteja na relação entre ocupação territorial e geração de riqueza no campo.
Nos últimos 25 anos, a participação das áreas agrícolas no território do Paraná diminuiu de aproximadamente 71% para 68%.
Ao mesmo tempo, o Valor Bruto da Produção Rural (VBP) cresceu 181% em termos reais.
Na prática, isso significa que o agronegócio paranaense conseguiu ampliar significativamente sua geração de valor mesmo sem aumentar proporcionalmente a área destinada à produção.
Esse movimento está relacionado a diversos fatores, entre eles o avanço da tecnologia no campo, o desenvolvimento de sementes mais produtivas, o uso de agricultura de precisão, a melhoria no manejo do solo e a profissionalização crescente dos produtores rurais.
A produtividade passou a ocupar um papel cada vez mais importante no crescimento do agronegócio.
Em vez de depender exclusivamente da abertura de novas áreas, o produtor passou a buscar maior eficiência dentro das áreas já destinadas à atividade agrícola.
Áreas urbanas também aumentam participação
O levantamento também mostra mudanças na ocupação urbana do Paraná.
Nos últimos 25 anos, as áreas urbanas passaram de aproximadamente 1% para 2% do território estadual.
Embora o crescimento pareça pequeno quando observado em termos percentuais, ele representa uma transformação significativa considerando a dimensão territorial do estado.
A expansão das cidades, combinada às mudanças no campo, ajuda a explicar a nova configuração do uso do solo paranaense.
Mesmo com o crescimento urbano e a expansão de algumas atividades agrícolas, a cobertura florestal conseguiu avançar.
Esse equilíbrio é um dos principais pontos destacados pelos dados divulgados pelo Deral.
Produção e preservação podem caminhar juntas
O cenário observado no Paraná reforça uma discussão importante para o futuro do agronegócio brasileiro: é possível ampliar a produção de alimentos, fibras e energia ao mesmo tempo em que se preserva e recupera a vegetação nativa.
Os números mostram que a expansão da soja ocorreu principalmente dentro de áreas que já estavam inseridas no sistema produtivo, especialmente sobre antigas pastagens.
Ao mesmo tempo, a redução conjunta de determinadas áreas de uso agropecuário abriu espaço para o crescimento da vegetação nativa.
O resultado é um estado que mantém uma agricultura forte, competitiva e altamente relevante para o Brasil, mas que também registra crescimento da cobertura florestal.
A soja, que chegou a 6,02 milhões de hectares, continua sendo uma das grandes forças econômicas do Paraná. Porém, o avanço da cultura acontece dentro de um processo mais amplo de reorganização territorial.
As pastagens diminuem, a agricultura se torna mais eficiente, a silvicultura permanece próxima de seus maiores níveis históricos e as florestas nativas voltam a ganhar espaço.
Um novo retrato do agronegócio paranaense
Os dados de 2025 ajudam a desenhar um novo retrato do campo no Paraná.
O estado continua ampliando sua capacidade produtiva e fortalecendo culturas estratégicas, como a soja. Ao mesmo tempo, registra a maior cobertura florestal das últimas décadas.
A transformação observada não aconteceu de forma isolada. Ela é resultado de mudanças acumuladas ao longo de anos na agricultura, na pecuária, na tecnologia e no uso do solo.
Nos últimos 25 anos, a área agrícola perdeu participação proporcional no território estadual, enquanto a geração de riqueza do agronegócio cresceu de maneira expressiva.
A cobertura de florestas nativas avançou de 25% para 27% do território. As áreas agrícolas passaram de 71% para 68%. As cidades cresceram de 1% para 2%.
Ao mesmo tempo, o Valor Bruto da Produção Rural registrou crescimento real de 181%.
O cenário mostra que produtividade, tecnologia e planejamento territorial serão cada vez mais importantes para o futuro do agronegócio.
Para o Paraná, os números de 2025 indicam que a expansão da produção agrícola não precisa representar, necessariamente, redução da cobertura vegetal.
Com a soja avançando principalmente sobre áreas de pastagem e com a regeneração da mata nativa ganhando espaço, o estado apresenta um exemplo de transformação na ocupação do solo.
O desafio daqui para frente será manter esse equilíbrio: continuar produzindo mais, fortalecendo o agronegócio e garantindo competitividade ao produtor rural, sem perder de vista a conservação ambiental e a recuperação das áreas naturais.
Os dados mais recentes mostram que, pelo menos até agora, o Paraná vem construindo esse caminho.