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igor . 8 min

Suíno despenca e produtor sofre com custos no Paraná

24 Sep

A suinocultura paranaense atravessa um período de forte pressão sobre as margens dos produtores. Em agosto de 2026, o custo de produção do suíno vivo aumentou, enquanto a remuneração recebida pelos criadores apresentou nova queda. O movimento amplia a distância entre o valor necessário para produzir e o preço efetivamente pago pelo mercado.

Dados da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), da Embrapa Suínos e Aves, mostram que o custo de produção no Paraná chegou a R$ 5,96 por quilo em agosto. Em julho, o indicador estava em R$ 5,81 por quilo. Já o preço médio recebido pelo produtor caiu de R$ 5,54 para R$ 5,31 por quilo no mesmo intervalo.

Na prática, o produtor paranaense terminou o mês recebendo R$ 0,65 por quilo a menos do que o custo estimado para produzir o suíno. A diferença ajuda a dimensionar o desafio enfrentado pela atividade, principalmente para propriedades que dependem exclusivamente da comercialização de animais para manter o fluxo de caixa.

Custo de produção de suínos sobe no Paraná

O custo de produção do suíno vivo no Paraná avançou 2,58% em agosto na comparação com julho. Em relação ao mesmo mês de 2025, quando o valor estava em R$ 5,73 por quilo, a alta chegou a 4,01%.

O comportamento dos custos ocorre mesmo em um cenário no qual o indicador acumulado no ano ainda apresenta retração. O Índice de Custos de Produção de Suínos, o ICPSuíno, calculado pela Embrapa com janeiro de 2010 como base de 100 pontos, alcançou 363,13 pontos em agosto.

O resultado representa crescimento de 0,96% em relação aos 359,67 pontos registrados em julho. Na comparação anual, o avanço foi de 1,74%.

Apesar da elevação observada nos últimos meses, o ICPSuíno acumula queda de 2,04% desde o início de 2026. Nos 12 meses encerrados em agosto, porém, o indicador registra alta de 1,74%.

A composição dos custos ajuda a explicar parte desse movimento. Entre os grupos que apresentaram aumento mensal estão energia elétrica, calefação e cama, com avanço de 8,32%. O custo de capital também subiu, 2,91%, enquanto a nutrição teve alta de 0,98%.

Por outro lado, o componente de genética apresentou redução de 1,34%. Transporte e sanidade permaneceram estáveis no período.

No acumulado de 2026, algumas despesas tiveram comportamento diferente. O custo de capital recuou 9,28%, enquanto a alimentação caiu 0,85% e a genética apresentou redução de 27,76%. Em sentido contrário, energia elétrica, calefação e cama acumulou alta de 9,95%.

Alimentação continua sendo o principal gasto

Entre todos os componentes que formam o custo da produção de suínos, a alimentação continua ocupando posição central. O item responde por 70,64% do custo total estimado para a atividade no Paraná.

Em agosto, o gasto com alimentação chegou a R$ 4,21 por quilo, contra R$ 4,07 por quilo no mês anterior. O aumento mensal foi de 3,44%, equivalente a R$ 0,14 por quilo.

Na comparação com agosto de 2025, o custo da alimentação também ficou acima do registrado naquele período, quando alcançava R$ 3,93 por quilo.

O peso da nutrição também aparece no ICPSuíno. Dentro da composição do índice, o componente representa 72,53%. Embora tenha acumulado queda de 0,85% em 2026, a nutrição apresenta alta de 4,29% nos últimos 12 meses.

A relevância da alimentação faz com que alterações nos preços dos principais insumos utilizados na fabricação de ração tenham impacto direto sobre a rentabilidade da atividade. Milho e farelo de soja, por exemplo, possuem participação importante na formulação das dietas utilizadas na produção comercial de suínos.

Preço do suíno vivo recua 24,68% em um ano

Se os custos continuam pressionando o produtor, o comportamento do preço do suíno vivo acrescenta outro fator de preocupação.

Em agosto, o valor médio recebido pelos produtores do Paraná ficou em R$ 5,31 por quilo. O resultado representa queda de 4,15% em relação aos R$ 5,54 registrados em julho.

O recuo ganha maior dimensão quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Em agosto de 2025, o preço médio era de R$ 7,05 por quilo. Em 12 meses, portanto, a redução chegou a 24,68%, ou R$ 1,74 por quilo.

A trajetória de 2026 também revela uma perda significativa de valor. Em janeiro, o suíno vivo era comercializado, em média, por R$ 6,94 por quilo. Oito meses depois, o preço havia recuado para R$ 5,31.

Isso significa uma redução de 23,49% desde o começo do ano.

A combinação entre esses dois movimentos é particularmente relevante para a suinocultura: de um lado, o custo aumentou; de outro, o preço de venda diminuiu. Em agosto, a diferença chegou a R$ 0,65 por quilo.

Paraná não é o único estado sob pressão

O cenário observado no Paraná também aparece em outros importantes polos produtores de carne suína do Brasil.

Em Santa Catarina, o custo de produção alcançou R$ 6,35 por quilo em agosto, ante R$ 6,29 em julho. O crescimento mensal foi de 0,95%.

No Rio Grande do Sul, o custo chegou a R$ 6,40 por quilo. Em julho, o indicador estava em R$ 6,31, representando aumento de 1,43%.

Os números mostram que a pressão sobre os custos não está concentrada exclusivamente no Paraná. Estados que possuem grande participação na produção nacional também convivem com despesas elevadas e desafios relacionados à formação dos preços.

Para o produtor independente, esse ambiente pode representar uma dificuldade ainda maior, já que a margem disponível para absorver oscilações nos custos é limitada.

Oferta maior influencia mercado de carne suína

Além da relação entre custos e preços, o comportamento da oferta também interfere na formação das cotações.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil registrou o abate de 15,70 milhões de suínos no segundo trimestre de 2026. O número representa crescimento de 4% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Na comparação com os primeiros três meses de 2026, houve aumento de 2,6%.

Uma oferta maior de animais e carne suína pode aumentar a disponibilidade do produto no mercado e dificultar uma recuperação mais rápida dos preços, especialmente quando o consumo não acompanha o mesmo ritmo de crescimento.

Esse equilíbrio entre produção e demanda é um dos pontos centrais para o comportamento das cotações ao longo dos próximos meses.

Consumo interno também pesa sobre a atividade

A formação dos preços da carne suína depende de uma série de fatores. Além do volume produzido, o comportamento do consumidor brasileiro influencia diretamente a capacidade do mercado de absorver a oferta.

Entre os fatores apontados por agentes do setor estão o ritmo mais moderado do consumo interno, a concorrência com outras proteínas animais, especialmente a carne de frango, e o nível de endividamento das famílias.

Outro ponto envolve o escoamento de produtos processados. Dificuldades na comercialização podem aumentar a pressão ao longo da cadeia, especialmente quando frigoríficos e demais empresas precisam administrar estoques maiores.

Nesse ambiente, o produtor fica exposto a uma combinação de custos elevados e menor poder de formação de preço.

Margens menores exigem atenção do produtor

A diferença registrada em agosto entre custo e remuneração reforça a necessidade de acompanhamento permanente dos indicadores econômicos da atividade.

Com o custo estimado em R$ 5,96 por quilo e o preço médio em R$ 5,31, a remuneração ficou 10,91% abaixo do valor calculado para a produção.

Isso não significa que todos os produtores tenham exatamente o mesmo resultado financeiro. Os custos variam conforme o sistema de produção, escala, produtividade, estrutura da propriedade, eficiência alimentar, genética, condições de compra dos insumos e contratos estabelecidos ao longo da cadeia.

Ainda assim, os dados indicam uma deterioração da relação entre custo e preço no mercado paranaense.

Para a suinocultura, o desempenho da conversão alimentar, o controle das despesas, o planejamento da compra de insumos e o acompanhamento das cotações podem ganhar importância ainda maior em períodos de margens reduzidas.

Perspectivas para a suinocultura paranaense

O comportamento do mercado nos próximos meses dependerá da combinação entre oferta, demanda, custos de produção e mercado externo. Uma eventual recuperação das cotações poderia reduzir parte da pressão sobre os produtores, mas isso dependerá da capacidade de absorção do mercado.

Ao mesmo tempo, alterações nos custos de alimentação e energia podem modificar novamente a estrutura de despesas das granjas.

O cenário de agosto deixa um sinal importante para a cadeia de produção de suínos no Paraná. A atividade mantém participação relevante no agronegócio estadual, mas enfrenta um momento em que a remuneração do produtor não acompanha o custo estimado de produção.

A queda de 24,68% no preço do suíno vivo em 12 meses, combinada ao avanço de 4,01% no custo de produção no mesmo intervalo, evidencia a mudança ocorrida no mercado.

Enquanto produtores aguardam condições mais favoráveis de comercialização, a evolução da oferta nacional, do consumo doméstico e dos custos dos principais insumos deverá continuar no centro das atenções da suinocultura brasileira.

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