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Chuva ameaça safra de citros no Rio Grande do Sul

05 Oct

A colheita de citros no Rio Grande do Sul segue em diferentes ritmos nas principais regiões produtoras, enquanto o excesso de chuva e as temperaturas mais baixas aumentam a preocupação dos agricultores com o desenvolvimento dos pomares. Em algumas localidades, os trabalhos avançam de forma significativa, mas as condições climáticas têm reduzido o período disponível para a realização de manejos importantes.

O cenário é acompanhado pela Emater/RS-Ascar, que aponta impactos principalmente sobre a floração das plantas, o pegamento dos frutos e o controle de doenças. A combinação entre períodos prolongados de umidade e temperaturas abaixo do ideal cria dificuldades tanto para a colheita quanto para a execução de tratamentos fitossanitários.

Entre as frutas cítricas produzidas no estado, a bergamota apresenta avanço relevante em determinadas áreas, enquanto a colheita de laranjas continua ocorrendo de acordo com a maturação das variedades. Os produtores têm aproveitado os intervalos de tempo firme para entrar nos pomares e manter o andamento das atividades.

Chuva interfere na colheita de bergamotas

Na Serra Gaúcha, municípios como Cotiporã e Veranópolis registraram uma evolução mais lenta da colheita de bergamotas durante a última semana. As chuvas dificultaram o acesso aos pomares e reduziram os períodos adequados para a retirada dos frutos.

Apesar das dificuldades, a colheita de laranjas permanece em andamento. A estratégia adotada por muitos produtores tem sido aproveitar os momentos de sol para realizar as atividades que não podem ser executadas com o solo excessivamente úmido ou durante períodos de precipitação.

O clima também preocupa em relação às próximas etapas da produção. Como boa parte da floração ocorreu sob condições de elevada umidade e temperaturas mais baixas, existe apreensão sobre o pegamento dos frutos.

Esse período é especialmente importante para determinar o potencial produtivo das áreas na próxima etapa da safra. Uma formação irregular dos frutos pode comprometer o volume posteriormente disponível para comercialização.

Além disso, a umidade favorece o surgimento e a disseminação de doenças, tornando o manejo fitossanitário uma das principais preocupações dos citricultores gaúchos.

Manejo fitossanitário enfrenta janela menor

A redução das chamadas janelas de manejo é um dos principais problemas enfrentados pelos produtores neste momento. Os tratamentos fitossanitários dependem de condições adequadas de clima para que possam ser realizados de maneira eficiente.

Quando as chuvas se tornam frequentes, os agricultores precisam aguardar períodos de tempo firme para aplicar determinados produtos. Caso volte a chover pouco tempo depois do tratamento, a eficiência da aplicação pode ser prejudicada.

Na região de Lajeado, por exemplo, os elevados volumes de precipitação coincidiram com uma fase de plena floração das laranjeiras. A situação aumentou a preocupação dos produtores em relação ao pegamento dos frutos.

Em Arvorezinha, o manejo está concentrado principalmente na prevenção da podridão-floral-dos-citros, conhecida entre os produtores como estrelinha. A doença pode afetar flores e comprometer a formação dos frutos, o que torna o monitoramento dos pomares ainda mais importante em períodos de alta umidade.

Já em São José do Sul, o foco das ações preventivas está relacionado à pinta-preta, outra doença de importância para a citricultura.

Poda começa em variedades de ciclo médio e tardio

Enquanto parte dos agricultores concentra esforços na colheita, outros produtores já iniciam trabalhos de poda nos pomares. A atividade ocorre principalmente em variedades de ciclo médio e tardio.

Entre as cultivares que entram nessa etapa estão as bergamotas Pareci e Montenegrina, além do tangor Murcott. A poda faz parte do conjunto de práticas utilizadas para organizar a estrutura das plantas e preparar os pomares para os próximos ciclos produtivos.

A colheita das variedades tardias também avança em diferentes municípios. O ritmo, porém, não é uniforme e depende das condições climáticas, do estágio de maturação dos frutos e da possibilidade de acesso às áreas cultivadas.

Em Maratá, a colheita da bergamota Montenegrina já alcança aproximadamente 90% da área. No caso do tangor Murcott, o avanço chega a 80% dos pomares.

A previsão é que a retirada do Murcott continue até novembro. Apesar dos desafios provocados pelo clima, os levantamentos indicam uma safra com boa produção e qualidade dos frutos.

Os pomares da região também apresentam uma quantidade expressiva de flores e frutos em fase inicial de formação. Caso o volume de frutos seja elevado, os produtores poderão precisar realizar o raleio, prática utilizada para reduzir a quantidade de frutos na planta e melhorar a distribuição dos recursos disponíveis para aqueles que permanecem.

Colheita de citros avança em Montenegro e São José do Sul

Em Montenegro, o avanço da colheita também é significativo. A bergamota Montenegrina chega a cerca de 85% da área cultivada, enquanto o tangor Murcott alcança aproximadamente 80%.

A laranja Valência, por sua vez, está com metade da área colhida. A variedade possui importância dentro da produção regional e segue avançando conforme os frutos atingem o ponto adequado para retirada.

Em São José do Sul, as colheitas de bergamota e laranja chegam a aproximadamente 90%. O município está entre aqueles onde os trabalhos apresentam maior avanço nesta fase da safra.

Já em Tupandi, a colheita da laranja Valência alcança cerca de 60% da área.

Os números mostram que a citricultura gaúcha apresenta comportamentos diferentes de acordo com a região e a variedade cultivada. Enquanto algumas propriedades estão próximas de concluir a retirada dos frutos, outras ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao excesso de umidade e ao andamento da maturação.

Preços da laranja e da bergamota

Além das condições climáticas, o mercado também influencia as decisões dos produtores. Os preços observados na comercialização regional apresentam diferenças de acordo com a variedade e o destino dos frutos.

Na Ceasa/Serra, a laranja umbigo passou de R$ 2,54 para R$ 2,58 por quilo. A variação, embora pequena, mostra o comportamento recente das cotações acompanhadas pela Emater/RS-Ascar.

A bergamota Montenegrina foi comercializada entre R$ 3,00 e R$ 3,50 por quilo. Já o tangor Murcott apresentou preço próximo de R$ 3,00 por quilo.

Os valores são acompanhados de perto pelos citricultores, principalmente em um momento em que os custos de produção e as dificuldades climáticas podem aumentar a necessidade de planejamento na comercialização.

Preço pago pela indústria preocupa citricultores

Outro ponto de atenção para a citricultura do Rio Grande do Sul está relacionado aos preços pagos pela indústria. De acordo com as informações acompanhadas pela Emater/RS-Ascar, a remuneração considerada baixa para os carregamentos destinados à produção de suco pode mudar o destino de parte da produção.

A expectativa é de que alguns produtores encerrem os carregamentos destinados à indústria até meados de outubro. Com isso, uma parcela dos frutos poderá permanecer nos pomares diante das condições de remuneração oferecidas pelo setor industrial.

A decisão representa mais um fator de pressão sobre a atividade. Para o produtor, a escolha entre colher e encaminhar os frutos para a indústria ou mantê-los temporariamente no pomar envolve custos, mão de obra, logística e expectativa de preço.

O cenário também demonstra como a citricultura depende de uma combinação de fatores. Não basta que o pomar apresente boa produtividade. As condições climáticas, o controle de doenças, a qualidade dos frutos e os preços recebidos no momento da comercialização interferem diretamente no resultado da safra.

Perspectivas para a citricultura gaúcha

A evolução da colheita de citros no Rio Grande do Sul deverá continuar sendo influenciada pelo comportamento do clima nas próximas semanas. Para os produtores que ainda possuem grandes áreas a colher, a ocorrência de períodos de tempo firme será importante para acelerar os trabalhos e reduzir perdas.

Ao mesmo tempo, os pomares em fase de floração e formação dos frutos exigem acompanhamento constante. A preocupação com doenças aumenta diante da umidade elevada, enquanto as temperaturas mais baixas podem interferir no desenvolvimento das plantas.

O avanço da colheita em municípios como Maratá, Montenegro, São José do Sul e Tupandi mostra que parte da produção segue em ritmo satisfatório. No entanto, a realidade é diferente entre as regiões produtoras, principalmente em áreas onde as chuvas limitaram o acesso aos pomares e reduziram as oportunidades para o manejo.

Com diferentes variedades em estágios distintos de produção, os citricultores precisam ajustar o calendário de atividades às condições encontradas em cada propriedade. A combinação entre colheita, poda, controle fitossanitário e acompanhamento dos frutos em formação deve continuar no centro das atenções durante as próximas semanas.

Assim, a safra de citros no estado segue avançando, mas em um cenário marcado por contrastes. Enquanto algumas regiões já se aproximam do fim da colheita de determinadas variedades, outras enfrentam os efeitos do excesso de chuva justamente em fases decisivas para a produção. O comportamento do clima e do mercado será determinante para os próximos passos da citricultura gaúcha.

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