A cafeicultura paulista deve registrar uma das principais altas da produção agrícola em 2026. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta que São Paulo poderá colher aproximadamente 6,2 milhões de sacas de café beneficiado neste ano. O volume representa crescimento de 30,6% em relação à safra de 2025 e reforça a recuperação dos cafezais do estado.
Os números fazem parte do terceiro levantamento da Conab para a safra brasileira de café e mostram uma melhora significativa em relação às projeções realizadas anteriormente. Na comparação com a estimativa divulgada em maio, a previsão para São Paulo avançou 4,9%.
O resultado esperado está relacionado principalmente ao aumento da produtividade das lavouras, à ampliação da área cultivada e ao comportamento das condições climáticas ao longo do ciclo produtivo. Em diferentes regiões produtoras, os cafeicultores encontraram condições que favoreceram o desenvolvimento das plantas e contribuíram para uma perspectiva mais positiva para a colheita.
Área cultivada com café também aumenta
Além do ganho de produtividade, São Paulo ampliou a área destinada à produção de café. A cafeicultura paulista ocupa atualmente cerca de 204,1 mil hectares, uma expansão de 2,9% em relação à área registrada na safra de 2025.
Embora o aumento da área seja relevante para explicar parte do crescimento da produção, o principal avanço aparece no rendimento obtido por hectare.
A produtividade média estimada para os cafezais paulistas passou de 24,18 sacas por hectare na safra anterior para 30,87 sacas por hectare em 2026. O avanço corresponde a uma alta de 27,7%.
Na prática, isso significa que uma parcela importante do crescimento previsto para a produção paulista não está relacionada apenas à expansão das lavouras. O desempenho das áreas já cultivadas também melhorou de maneira expressiva.
Esse cenário ajuda a explicar por que a projeção de produção aumentou mesmo com uma expansão relativamente moderada da área ocupada pelos cafezais.
Clima favorece desenvolvimento dos cafezais
As condições climáticas tiveram papel importante no desempenho esperado para a cafeicultura de São Paulo. De maneira geral, as chuvas apresentaram distribuição considerada favorável em boa parte do estado, enquanto temperaturas mais amenas contribuíram para o desenvolvimento das plantas.
O comportamento do clima, entretanto, não foi uniforme entre todas as regiões produtoras. As diferenças entre os municípios e áreas de produção acabaram influenciando tanto o andamento da colheita quanto a qualidade dos grãos.
Na região de Franca, por exemplo, o período mais seco e quente favoreceu a maturação do café e contribuiu para o avanço da colheita. As condições observadas durante essa etapa foram consideradas positivas para a qualidade dos grãos produzidos.
A realidade foi um pouco diferente na Alta Mogiana. Entre junho e agosto, algumas áreas registraram maior volume de chuvas, situação que afetou o processo de maturação em determinados cafezais.
O excesso de umidade trouxe impactos principalmente sobre a qualidade e o rendimento de alguns lotes. Apesar disso, o resultado médio da região permaneceu dentro de um cenário considerado satisfatório.
As diferenças regionais mostram como o clima continua sendo um dos principais fatores de influência sobre a produção de café. Mesmo quando a média estadual apresenta uma perspectiva favorável, determinados períodos de chuva ou estiagem podem modificar o desempenho de propriedades específicas.
Produção brasileira de café também cresce em 2026
O cenário positivo observado em São Paulo acompanha uma recuperação mais ampla esperada para a cafeicultura brasileira.
De acordo com o terceiro levantamento da Conab, a produção nacional de café deve alcançar 67,6 milhões de sacas de café beneficiado em 2026. Se confirmada, a estimativa representa crescimento de 19,6% em comparação com o volume produzido em 2025.
A nova projeção também supera a previsão apresentada no levantamento anterior. Em relação aos números divulgados em maio, a estimativa para a safra brasileira aumentou 5,3%.
A área total destinada à cafeicultura no Brasil está estimada em aproximadamente 2,35 milhões de hectares. A produtividade média nacional deve chegar a 34,62 sacas por hectare, resultado 13,8% superior ao registrado na safra passada.
O aumento da produção nacional está associado a uma combinação de fatores. Entre eles estão a expansão da área em produção, maior utilização de tecnologias no campo, emprego de insumos e condições climáticas mais favoráveis em importantes regiões produtoras.
A recuperação da produtividade tem peso importante nesse cenário. Em uma cultura como o café, em que o rendimento pode variar bastante de uma safra para outra, o comportamento climático ao longo do ciclo produtivo influencia diretamente o resultado final.
Café arábica concentra maior crescimento
Entre os diferentes tipos de café produzidos no Brasil, o arábica apresenta uma perspectiva especialmente positiva para 2026.
A produção nacional de café arábica está estimada em 48,2 milhões de sacas. O volume representa crescimento de 34,8% em relação à safra anterior.
A produtividade média do arábica deve alcançar 30,79 sacas por hectare, avanço de aproximadamente 28% na comparação com 2025.
O desempenho esperado é particularmente importante para estados que possuem forte participação na produção de café arábica. A recuperação das lavouras pode aumentar a oferta de grãos no mercado e contribuir para uma maior disponibilidade do produto ao longo do ano.
O café arábica possui grande relevância para a produção brasileira e também para as exportações do país, especialmente devido à presença do Brasil entre os principais fornecedores mundiais da commodity.
Conilon apresenta cenário diferente
Enquanto o arábica deve apresentar forte crescimento, a produção de café conilon segue uma trajetória diferente.
A Conab estima uma produção de aproximadamente 19,4 milhões de sacas de conilon em 2026. O número representa redução de 6,6% em relação à safra anterior.
O comportamento chama atenção porque a área destinada ao cultivo do conilon aumentou 6,8%. Mesmo com mais hectares, a produtividade esperada recuou 10,2%, ficando em aproximadamente 50,16 sacas por hectare.
O resultado demonstra que a expansão da área cultivada não é suficiente, por si só, para garantir crescimento da produção. O rendimento das plantas depende de uma série de fatores, incluindo clima, disponibilidade de água, manejo, sanidade das lavouras e condições durante as diferentes fases do ciclo produtivo.
Por isso, a evolução da produtividade continua sendo um dos principais indicadores para acompanhar o desempenho da cafeicultura brasileira.
Minas Gerais mantém liderança na produção
Entre os estados produtores, Minas Gerais aparece novamente com a maior previsão de produção para 2026.
A estimativa indica uma colheita de aproximadamente 35,6 milhões de sacas de café no estado. O volume representa aumento de 38,2% em relação à safra de 2025.
O desempenho mineiro está relacionado, entre outros fatores, ao ciclo de bienalidade positiva do café e às condições climáticas observadas durante o desenvolvimento das lavouras.
A distribuição das chuvas e o clima durante a fase de granação favoreceram o desenvolvimento dos frutos e contribuíram para o aumento esperado da produtividade.
O resultado de Minas Gerais tem peso significativo no cenário nacional, considerando a participação histórica do estado na produção brasileira de café.
Cafeicultura paulista ganha força
Dentro desse cenário nacional, o desempenho de São Paulo merece atenção. A previsão de 6,2 milhões de sacas coloca o estado novamente entre os principais polos produtores do país e evidencia a recuperação da produtividade dos cafezais.
O avanço de 30,6% na produção estadual também mostra a importância do manejo e das condições climáticas para o resultado das lavouras.
Para os produtores paulistas, uma safra maior representa uma oportunidade de recuperar parte dos volumes perdidos em períodos anteriores e fortalecer a participação do estado no mercado de café.
Ao mesmo tempo, a qualidade dos grãos continua sendo um fator determinante para a formação dos resultados econômicos da atividade. Regiões como Franca e Alta Mogiana mostram que, mesmo dentro de um mesmo estado, diferenças climáticas podem provocar impactos distintos sobre a colheita e a qualidade final do produto.
Com a colheita avançando e os números da Conab apontando para uma produção maior, o mercado acompanha de perto o comportamento das lavouras. A evolução da produtividade, a qualidade dos grãos e o ritmo de comercialização deverão continuar entre os principais pontos de atenção para a cafeicultura paulista e brasileira ao longo de 2026.