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Agro bate recorde de empregos no Brasil em 2026

16 Oct

O agronegócio brasileiro alcançou um marco importante no mercado de trabalho no segundo trimestre de 2026. O setor registrou 28,4 milhões de pessoas ocupadas entre abril e junho, o maior contingente para o período desde o início da série histórica, em 2012. O resultado reforça a relevância das atividades ligadas à produção agropecuária, ao fornecimento de insumos, à indústria de processamento e aos serviços que integram a cadeia produtiva do campo.

Os dados fazem parte do boletim Mercado de Trabalho no Agronegócio, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com o levantamento, o agronegócio respondeu por aproximadamente 26% de toda a população ocupada no Brasil no período. Na prática, isso significa que mais de um em cada quatro trabalhadores brasileiros estava vinculado, direta ou indiretamente, às atividades que compõem o setor.

Além do recorde de ocupação, os números apontam mudanças na distribuição da mão de obra entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva. O levantamento também identificou crescimento no número de mulheres empregadas no agronegócio, ampliando a presença feminina em um mercado historicamente associado à predominância masculina em determinadas funções.

Emprego no agronegócio acompanha mudanças no mercado de trabalho

O resultado alcançado pelo setor ocorreu em um contexto de expansão do mercado de trabalho brasileiro. No segundo trimestre de 2026, a taxa de desocupação do país ficou em 5,4%, o menor percentual registrado para esse período do ano, conforme os dados apresentados no levantamento.

Apesar do recorde histórico de pessoas ocupadas no agronegócio, o crescimento trimestral do setor foi mais moderado quando comparado ao desempenho geral da economia.

Entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, o número de trabalhadores do agronegócio aumentou 0,1%, o equivalente a aproximadamente 27 mil pessoas. No conjunto do mercado de trabalho brasileiro, a população ocupada cresceu 1%, com a entrada de cerca de 1,08 milhão de pessoas nessa condição.

A diferença entre os resultados demonstra que o desempenho do emprego no agronegócio não ocorreu de maneira uniforme em relação ao restante da economia. Embora o setor tenha alcançado seu maior contingente de trabalhadores para um segundo trimestre, os avanços variaram conforme a atividade econômica analisada.

O resultado também evidencia a dimensão da cadeia produtiva rural na geração de oportunidades profissionais. O agronegócio não se limita às propriedades agrícolas e pecuárias. Sua estrutura envolve empresas de fertilizantes, defensivos, sementes, máquinas, transporte, armazenagem, processamento industrial, comercialização e distribuição.

Essa diversidade faz com que as condições de contratação dependam de fatores como calendário agrícola, demanda por produtos, investimentos em tecnologia, custos de produção e comportamento dos mercados consumidores.

Setor primário concentra o principal avanço na ocupação

Entre os segmentos analisados pelo Cepea e pela CNA, o setor primário apresentou o crescimento mais expressivo no segundo trimestre de 2026. A quantidade de pessoas ocupadas nessa área aumentou em 145.795 trabalhadores, uma elevação de 1,9% em relação aos três primeiros meses do ano.

O avanço foi associado principalmente às atividades agrícolas e florestais, com destaque para a cafeicultura, o cultivo de milho e a produção de cereais.

Essas atividades possuem calendários produtivos próprios, que influenciam a necessidade de mão de obra ao longo do ano. Dependendo da cultura e da região, etapas como plantio, tratos culturais, colheita e movimentação da produção podem elevar temporariamente a demanda por trabalhadores.

No caso do café, a colheita representa uma fase importante para a contratação de mão de obra em diversas regiões produtoras. A atividade envolve diferentes etapas, desde a retirada dos frutos até o transporte, a secagem e o beneficiamento inicial.

O milho e outros cereais também movimentam trabalhadores durante operações agrícolas e atividades relacionadas à colheita. Além do trabalho realizado diretamente nas lavouras, a produção exige serviços de apoio, manutenção de equipamentos, transporte e armazenagem dos grãos.

O crescimento observado no setor primário, portanto, indica que as atividades diretamente ligadas à produção vegetal e florestal tiveram participação relevante na expansão da ocupação do agronegócio durante o período analisado.

Ainda assim, os números trimestrais precisam ser interpretados considerando a sazonalidade da agricultura. A quantidade de trabalhadores pode variar conforme o calendário das culturas, as condições climáticas, a região produtora e o estágio de desenvolvimento das safras.

Insumos agropecuários registram redução de trabalhadores

Enquanto o setor primário apresentou crescimento, o segmento de insumos agropecuários seguiu uma trajetória diferente. Segundo o boletim, a área registrou uma redução de 15.270 pessoas ocupadas entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026.

O segmento reúne atividades relacionadas ao fornecimento de produtos e recursos utilizados na produção rural, como sementes, fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas, equipamentos e outros materiais necessários ao funcionamento das propriedades.

O desempenho desse mercado está relacionado a fatores como o planejamento das safras, o ritmo de comercialização de insumos, as decisões de investimento dos produtores e as condições econômicas que influenciam a compra de tecnologias agrícolas.

A redução no número de trabalhadores não significa, isoladamente, que todo o segmento esteja em retração. Para compreender as causas do resultado, seria necessário avaliar outros indicadores, incluindo faturamento, volume de vendas, produtividade, custos operacionais e comportamento das contratações em períodos mais longos.

A agroindústria, por sua vez, permaneceu praticamente estável. O segmento apresentou uma diminuição de 1.793 trabalhadores no trimestre, uma variação relativamente pequena diante da dimensão total do mercado de trabalho do agronegócio.

A agroindústria exerce papel estratégico ao transformar matérias-primas agropecuárias em produtos destinados ao consumo e a outros processos industriais. Nesse grupo estão atividades relacionadas ao processamento de alimentos, à produção de bebidas e a diferentes segmentos industriais vinculados à cadeia rural.

A estabilidade da ocupação indica que, no intervalo analisado, esse segmento teve uma movimentação mais limitada do que a observada no setor primário.

Trabalhadores por conta própria e empregadores ampliam participação

Outro destaque do levantamento está na evolução das posições ocupadas pelos trabalhadores dentro do agronegócio. Os dados mostram crescimento tanto entre os profissionais que trabalham por conta própria quanto entre os empregadores.

No primeiro grupo, o número de pessoas ocupadas aumentou 2,4% em relação ao trimestre anterior, representando um acréscimo de 160.833 trabalhadores.

A categoria abrange diferentes formas de atuação profissional, incluindo atividades desenvolvidas de maneira independente. No contexto do agronegócio, esse perfil pode envolver produtores rurais, prestadores de serviços e profissionais que exercem atividades sem vínculo tradicional de emprego, conforme os critérios utilizados na classificação estatística.

O aumento demonstra que essa modalidade de ocupação teve um desempenho relevante no período. Entretanto, a variação não permite concluir, por si só, se o avanço decorreu da abertura de novos negócios, da ampliação das atividades existentes ou de mudanças na composição da força de trabalho.

Entre os empregadores, o crescimento foi de 3,5%, com a entrada de 35.689 pessoas nessa condição.

Esse grupo reúne indivíduos que exercem atividades econômicas com contratação de trabalhadores. No campo, a presença de empregadores está relacionada a diferentes estruturas produtivas, desde estabelecimentos rurais até empresas que prestam serviços para produtores e organizações da cadeia agroindustrial.

A expansão dessas duas categorias revela movimentos distintos dentro do mercado de trabalho. Enquanto os trabalhadores por conta própria representam uma parcela importante das atividades independentes, os empregadores estão associados à organização de negócios que podem gerar oportunidades para outras pessoas.

A análise conjunta desses indicadores ajuda a compreender melhor a composição do emprego no agronegócio, para além do número total de trabalhadores registrados nas estatísticas.

Participação feminina cresce no agronegócio brasileiro

A presença das mulheres no mercado de trabalho do agronegócio também avançou na comparação anual. Segundo o boletim do Cepea e da CNA, o número de mulheres ocupadas no setor aumentou 0,7% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.

O crescimento correspondeu a 76.055 trabalhadoras a mais.

No mesmo intervalo, a população masculina ocupada no agronegócio também apresentou expansão. O aumento foi de 0,6%, equivalente a 112.495 trabalhadores.

Os resultados indicam que ambos os grupos registraram crescimento na comparação com o segundo trimestre do ano anterior, com uma variação percentual ligeiramente superior entre as mulheres.

A ampliação da participação feminina faz parte das transformações observadas no mercado de trabalho rural e nas atividades relacionadas à cadeia produtiva. A atuação das mulheres no agronegócio está presente em diferentes áreas, incluindo produção agrícola, pecuária, pesquisa, gestão de propriedades, assistência técnica, comercialização, administração e atividades industriais.

Além das funções diretamente ligadas ao campo, a cadeia do agronegócio oferece oportunidades em áreas como logística, finanças, tecnologia, recursos humanos e desenvolvimento de soluções para o produtor rural.

É importante, contudo, distinguir o crescimento do número de mulheres ocupadas de um eventual aumento de sua participação proporcional no total de trabalhadores. Para avaliar mudanças na representatividade feminina, também é necessário considerar a evolução da ocupação masculina e a composição geral da força de trabalho.

Os dados divulgados demonstram o aumento absoluto da quantidade de mulheres trabalhando no setor e oferecem uma referência para acompanhar a evolução da presença feminina nos próximos levantamentos.

Tecnologia e qualificação influenciam o mercado de trabalho rural

As transformações do agronegócio brasileiro também alteram as competências exigidas dos profissionais. A incorporação de máquinas, sistemas de monitoramento, agricultura de precisão e ferramentas digitais modifica processos produtivos e amplia a demanda por conhecimentos técnicos em diferentes etapas da cadeia.

Na produção agrícola, equipamentos modernos e sistemas de gestão permitem acompanhar operações, controlar custos e organizar o uso de insumos. Essas ferramentas exigem profissionais capacitados para operar máquinas, interpretar informações e executar procedimentos de manutenção.

Na gestão das propriedades, conhecimentos sobre planejamento financeiro, comercialização, legislação ambiental e administração também ganham importância. Ao mesmo tempo, empresas ligadas ao fornecimento de insumos e à agroindústria dependem de trabalhadores preparados para atividades técnicas, comerciais e operacionais.

A qualificação profissional constitui, assim, um dos elementos relevantes para acompanhar a evolução do mercado de trabalho do agronegócio. A disponibilidade de trabalhadores capacitados pode contribuir para melhorar a produtividade, reduzir perdas e ampliar a eficiência das operações.

Essas mudanças, porém, não ocorrem de maneira uniforme. As necessidades variam conforme o porte das propriedades, as culturas produzidas, o nível de mecanização e as características econômicas de cada região.

Recorde de ocupação reforça o peso econômico do agronegócio

O registro de 28,4 milhões de pessoas ocupadas no segundo trimestre de 2026 confirma a dimensão do agronegócio na estrutura de emprego brasileira. Com participação de aproximadamente 26% da população ocupada do país, o setor permanece conectado a diferentes atividades econômicas, desde a produção primária até o processamento e a distribuição de produtos.

O levantamento também mostra que o crescimento da ocupação não se distribuiu igualmente entre os segmentos. O setor primário concentrou o principal avanço trimestral, enquanto a área de insumos agropecuários apresentou redução e a agroindústria permaneceu praticamente estável.

A evolução das posições de trabalho por conta própria e de empregadores acrescenta informações sobre a organização das atividades profissionais. Já a comparação anual por gênero revela que a ocupação feminina e a masculina aumentaram no período, com crescimento percentual ligeiramente maior entre as mulheres.

Para os próximos trimestres, o acompanhamento desses indicadores poderá ajudar a identificar se o patamar recorde se mantém e como as mudanças no calendário agrícola, na atividade econômica e nas condições de produção influenciam as contratações.

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