O mercado do boi gordo iniciou a segunda quinzena do período com movimento de valorização em importantes praças pecuárias do país, especialmente em São Paulo. De acordo com a análise divulgada na quinta-feira (29) pelo informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria, as cotações do boi gordo e do chamado “boi China” avançaram R$ 5,00 por arroba no estado, refletindo um cenário de oferta limitada de animais prontos para abate e demanda firme, sobretudo voltada às exportações.
Segundo a consultoria, os frigoríficos enfrentam dificuldades para compor suas escalas de abate, o que tem sustentado os preços mesmo em um ambiente de cautela por parte da indústria. As escalas em São Paulo ficaram, em média, em seis dias, consideradas curtas para os padrões históricos, o que reforça o viés altista do mercado no curto prazo. Todos os preços considerados são brutos e com prazo, conforme metodologia adotada pela Scot.
Oferta curta sustenta valorização do boi gordo
A principal justificativa para a alta observada nas cotações está relacionada à redução da oferta de boiadas. Produtores têm demonstrado maior resistência à venda, seja pela estratégia de segurar os animais à espera de preços mais atrativos, seja pela menor disponibilidade de gado terminado em algumas regiões. Esse comportamento acaba pressionando os frigoríficos que atuam no mercado spot, especialmente aqueles que não possuem contratos a termo.
De acordo com a Scot Consultoria, houve relatos de frigoríficos pagando valores acima das referências de mercado para garantir matéria-prima, sobretudo no caso do boi padrão exportação, conhecido como boi China. Esse tipo de animal atende às exigências sanitárias do mercado chinês e, por isso, costuma receber um ágio em relação ao boi gordo convencional.
Fêmeas mantêm estabilidade em São Paulo
Enquanto os machos apresentaram valorização, as cotações das fêmeas permaneceram estáveis na comparação diária em São Paulo. Tanto a vaca quanto a novilha não registraram variações significativas, indicando um mercado mais equilibrado para essas categorias. Ainda assim, analistas destacam que a estabilidade também pode ser interpretada como um sinal de sustentação, já que não houve pressão de baixa mesmo diante de um cenário econômico ainda marcado por incertezas.
Mato Grosso do Sul acompanha movimento de alta
O cenário de valorização do boi gordo não ficou restrito a São Paulo. Em Mato Grosso do Sul, a diminuição da oferta de animais terminados também resultou em avanço das cotações em diversas regiões do estado, segundo levantamento da Scot Consultoria.
Na região de Dourados, o preço do boi gordo subiu R$ 4,00 por arroba, enquanto as cotações da vaca e da novilha tiveram alta de R$ 3,00. As escalas de abate ficaram, em média, em cinco dias, reforçando a percepção de um mercado ajustado entre oferta e demanda.
Já na região de Campo Grande, o boi gordo apresentou valorização mais moderada, com elevação de R$ 3,00 por arroba. As fêmeas, por sua vez, mantiveram os mesmos preços do dia anterior. As escalas de abate ficaram em torno de seis dias, patamar semelhante ao observado em São Paulo.
Três Lagoas registra alta mais expressiva
Entre as praças sul-mato-grossenses analisadas, Três Lagoas se destacou pela valorização mais intensa. Na região, a cotação do boi gordo subiu R$ 5,00 por arroba, enquanto vaca e novilha avançaram R$ 3,00. As escalas de abate alcançaram, em média, sete dias, indicando um leve alongamento em relação a outras regiões do estado.
Além disso, o boi China em Três Lagoas também registrou alta de R$ 5,00 por arroba, acompanhando o movimento observado em São Paulo. O desempenho reforça a importância do mercado externo na formação dos preços e evidencia a competitividade do Brasil como fornecedor de carne bovina para a China.
Mercado externo segue como principal sustentação
A demanda internacional, especialmente da China, segue como um dos principais pilares de sustentação do mercado do boi gordo. Mesmo com oscilações pontuais no ritmo de embarques, o volume exportado de carne bovina brasileira permanece elevado, o que garante maior poder de barganha ao pecuarista que possui animais dentro do padrão exigido.
O boi China, nesse contexto, ganha protagonismo, já que atende a critérios específicos de idade, sanidade e rastreabilidade. Isso faz com que frigoríficos habilitados para exportação disputem esse tipo de animal, contribuindo para a valorização da arroba.
Estabilidade marca o mercado em Roraima
Diferentemente das demais regiões analisadas, Roraima apresentou um cenário de estabilidade. Segundo a Scot Consultoria, a procura por bovinos terminados no estado esteve contida, ao mesmo tempo em que o escoamento da carne bovina ocorreu de forma lenta. Esse equilíbrio entre oferta e demanda manteve as cotações inalteradas em relação ao dia anterior.
No estado, não há referência para o boi China, uma vez que a produção local não atende, de forma recorrente, aos requisitos exigidos para exportação a esse mercado específico.
Perspectivas para o curto prazo
Para os próximos dias, o mercado do boi gordo deve seguir atento ao comportamento da oferta. Caso a disponibilidade de animais terminados continue restrita, a tendência é de manutenção ou até novos ajustes positivos nas cotações, especialmente em regiões com forte atuação de frigoríficos exportadores.
Por outro lado, analistas alertam que a indústria ainda opera com margens pressionadas, o que pode limitar altas mais expressivas no curto prazo. Ainda assim, o cenário atual indica um mercado mais firme, sustentado por fundamentos consistentes e pela relevância do Brasil no comércio internacional de carne bovina.