No dia 25 de fevereiro, quando se comemora o Dia do Agronegócio, os números da balança comercial trouxeram um retrato claro da força do campo em São Paulo. O agronegócio paulista iniciou o ano com superávit de US$ 1,31 bilhão, resultado de US$ 1,84 bilhão em exportações frente a US$ 530 milhões em importações no mês de janeiro. O desempenho reafirma o protagonismo do Estado no cenário nacional e reforça a relevância do setor para a economia paulista e brasileira.
Os dados, divulgados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, mostram que São Paulo respondeu por 17,1% de todos os embarques do agronegócio brasileiro no período, mantendo a liderança entre os estados exportadores. Mesmo com área territorial inferior à de gigantes agrícolas, o Estado superou Mato Grosso, que participou com 16,7% das exportações, e Minas Gerais, com 11,5%.
Agro representa 40,9% das exportações paulistas
O peso do agronegócio na pauta externa de São Paulo é significativo. Em janeiro, o setor respondeu por 40,9% de todas as exportações paulistas. Em contrapartida, as importações do agro representaram apenas 8% do total estadual, evidenciando o forte saldo positivo e a capacidade competitiva do campo paulista no mercado internacional.
Esse desempenho ganha ainda mais relevância quando analisado em um contexto de oscilações de preços globais, variações cambiais e ajustes de oferta e demanda em mercados estratégicos. O superávit de US$ 1,31 bilhão reforça o papel do agronegócio como um dos principais pilares da balança comercial paulista.
Complexo sucroalcooleiro lidera as exportações
Entre os principais segmentos exportadores, o complexo sucroalcooleiro ocupou a liderança. O grupo representou 25,3% das vendas externas do agro paulista, somando US$ 465,32 milhões. Desse montante, 96,9% corresponderam ao açúcar e 3,1% ao álcool etílico (etanol).
A relevância do açúcar paulista no mercado internacional continua evidente, mesmo diante de uma retração de 25% na receita em comparação com janeiro do ano passado. A variação reflete tanto oscilações nos preços internacionais quanto ajustes no volume embarcado, cenário comum em um mercado altamente sensível a fatores climáticos e logísticos.
Produtos florestais avançam 22,8%
Na segunda posição do ranking aparecem os produtos florestais, responsáveis por 18,8% das exportações, com receita de US$ 346,90 milhões. A celulose respondeu por 75,3% desse valor, enquanto o papel representou 21,1%.
O segmento registrou crescimento expressivo de 22,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A expansão está associada ao aumento da demanda internacional por celulose, especialmente nos mercados asiáticos e europeus, além da consolidação de investimentos realizados nos últimos anos para ampliar a capacidade produtiva.
Carnes mantêm desempenho consistente
O setor de carnes também teve participação relevante, com 16,6% das exportações e receita de US$ 305,81 milhões. A carne bovina foi responsável por 82,8% desse total, confirmando a força da pecuária paulista no comércio exterior.
Na comparação anual, o segmento apresentou crescimento de 11,6%, resultado atribuído ao aumento do volume embarcado e à manutenção da demanda firme em mercados estratégicos. A qualidade sanitária e o padrão produtivo continuam sendo diferenciais competitivos do produto paulista.
Sucos e café enfrentam retração
O segmento de sucos representou 8,9% das vendas externas, totalizando US$ 163,86 milhões. O suco de laranja concentrou 96,1% desse valor. Apesar da relevância histórica do produto na pauta exportadora, houve queda de 53,1% em relação a janeiro do ano anterior, refletindo principalmente variações de preços e ajustes de oferta.
O café também registrou retração. Com participação de 7,2% e receita de US$ 132,50 milhões, o produto teve queda de 20,4% na comparação anual. Do total exportado, 76,7% corresponderam ao café verde e 19,5% ao café solúvel. As oscilações nos preços internacionais e a dinâmica do mercado global influenciaram diretamente o resultado.
Complexo soja deve ganhar força a partir de fevereiro
Embora tradicionalmente associado a outros estados, o complexo soja também integra a pauta exportadora paulista. Em janeiro, o segmento ocupou a décima posição, com 2,7% de participação e US$ 49,96 milhões em vendas externas. Desse total, 29,8% foram de soja em grão e 48,1% de farelo.
A expectativa é de crescimento nas exportações a partir de fevereiro de 2026, com o avanço da colheita e o aumento da oferta disponível para embarque. Em relação a janeiro do ano passado, o complexo soja registrou alta de 7,2%.
China lidera como principal destino
No recorte por destino, a China manteve a posição de principal parceiro comercial do agronegócio paulista, com 21,9% de participação nas compras. O país asiático adquiriu principalmente produtos florestais, carnes, fibras têxteis e itens do complexo soja.
A União Europeia respondeu por 18,1% das exportações, enquanto os Estados Unidos tiveram participação de 8,1%. A diversificação de mercados é considerada estratégica para reduzir riscos e ampliar oportunidades de negócios, especialmente em um cenário global marcado por tensões comerciais e mudanças regulatórias.
Análise técnica reforça solidez do setor
A análise mensal da balança comercial do agronegócio paulista é elaborada pelo diretor da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Carlos Nabil Ghobril, em conjunto com os pesquisadores José Alberto Ângelo e Marli Dias Mascarenhas Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura.
Os dados mostram que, apesar das oscilações em segmentos específicos, o agronegócio paulista mantém estrutura sólida, diversificada e competitiva. A combinação de tecnologia, logística, acesso a mercados e tradição produtiva segue garantindo ao Estado posição de destaque nas exportações brasileiras.
Em um momento em que o agronegócio ganha cada vez mais relevância estratégica para o país, o desempenho de São Paulo em janeiro reforça não apenas a força do campo paulista, mas também sua capacidade de adaptação às exigências do mercado internacional. O superávit de US$ 1,31 bilhão é mais do que um número: é o reflexo de uma cadeia produtiva robusta, integrada e essencial para o crescimento econômico.